Um homem furtou uma barra de chocolate no supermercado Muffato (19), localizado no bairro Portão, em Curitiba. Após ser perseguido por seguranças, tentou escapar, mas foi alcançado, dominado com um golpe conhecido como “mata‑leão” e morreu em seguida, ainda no local. Seu corpo foi removido das dependências da loja e deixado na rua. A vítima, até 21 de junho, ainda não havia sido identificada no IML.
A Polícia Civil apurou que participaram da agressão: o segurança Bryan Gustavo Teixeira e o motoqueiro Henrique Moreira Alves Pinheiro do Carmo, ambos presos preventivamente. Um terceiro, Luiz Eduardo Alves, liberado com liberdade provisória por suposta menor participação, e um quarto suspeito estão foragidos.
Segundo o motoboy que gravou o crime de forma oculta, foi possível ouvir menções a uma "pedrada", embora tal agressão ainda dependa de confirmação pericial.
O supermercado Muffato divulgou nota oficial condenando veementemente o ato e assegurou que tem colaborado com a investigação. O caso repercute em meio à expansão da rede, que adquiriu oito unidades da antiga bandeira Nacional (Carrefour) em Curitiba por cerca de R$ 400 milhões, reforçando sua presença no Estado.
Este episódio acende um debate essencial: ninguém está acima da lei. Seja um ladrão ou um assassino, todos têm direito a julgamento justo. O uso de violência letal por segurança privada, em resposta a um furto de baixo valor, ultrapassa qualquer limite aceitável.
Redes como a Muffato, que investem fortemente em expansão e tecnologia, são responsáveis por garantir segurança — mas aplicando procedimentos legais, não execuções sumárias. Nas plataformas locais, usuários comentaram sobre furtos a itens pequenos, como Nutella e pilhas, e questionaram a eficácia das câmeras e caixas nos supermercados:
“É só pq é caro e como é pequeno é mais fácil de roubar”
“Agora tem doce de leite com cacau… coisas fáceis de roubar e que podem ter preço alto”
Essas ocorrências mostram que furtos ocorrem, porém a resposta institucional deve ser criteriosa e proporcional.
Crimes precisam ser respondidos com proporcionalidade, e a justiça deve ser aplicada conforme o princípio da legalidade. Um homicídio, ainda que ocorrendo após um furto, é tão grave quanto qualquer outra forma de assassinato. A sociedade exige que:
A investigação seja rápida, completa e com rigor técnico;
Os responsáveis — seguranças e cúmplices — sejam julgados e penalizados conforme o devido processo legal;
Empresas privadas passem a atuar com treinamento adequado para uso mínimo de força, e a segurança seja garantida dentro da lei.
Este crime revoltante nos lembrou de uma verdade insofismável: o assassino não é menos criminoso que o ladrão. O Estado, mesmo diante de pequenos furtos, não pode delegar às empresas privadas o poder de julgar e executar. O supermercado pode continuar investindo em tecnologia, mas deve também aplicar medidas preventivas que preservem vidas e garantam o devido processo legal.