Cidades: Curitiba Covarde
PM atira em cidadão desarmado no Paraná
Confusão levanta debate sobre uso da força e abuso de autoridade
22/06/2025 22h18 Atualizada há 1 ano
Por: Opinião, crítica e análise

O caso ocorreu em Lunardelli, mas representa uma preocupação que se estende a todo o estado do Paraná — e até ao Brasil — quanto ao uso excessivo da força por agentes públicos e possíveis abusos de autoridade.

Na tarde do último domingo (18), em frente ao Santuário Santa Rita de Cássia, no centro de Lunardelli (PR), um homem desarmado foi atingido por um disparo na perna por um policial militar, durante um desentendimento que teria iniciado com um pedido para retirar a filha da rua. Embora o militar afirme que o tiro foi resultado de reação à agressão — “partiu para cima” —, o episódio reacende debates sobre a proporcionalidade da resposta policial.

Crescente pressão para revisar letalidade policial

Em maio, o Ministério Público do Paraná reabriu sete inquéritos arquivados relacionados à letalidade policial, após identificar indícios de execução, excessos ou lacunas nas investigações originais. Além disso, dados de 2023 apontam que a PM-PR foi responsável por 343 mortes, quase três vezes mais por habitante do que a PM-SP. Esses números preocupantes evidenciam a urgência de reavaliar protocolos e práticas.

Investimentos em meios não letais

O governo do Paraná entregou em maio1.400 armas não letais tipo Taser 10 e câmeras corporais com inteligência artificial à PM, buscando reduzir confrontos com armas de fogo. A expectativa é que, ao dispor de recursos tecnológicos e equipamentos menos letais, os policiais evitem recorrer a armas convencionais.

Debate sobre abuso de autoridade e proporcionalidade

A Lei nº 13.869/2019 prevê punições para policiais que excedem suas funções ou façam uso de violência ou ameaça injustificada. Atitudes interpretadas como provocação ao civil ("chamar para a briga") podem configurar crime, especialmente dentro de uma abordagem violenta em uma área pública cheia de famílias.

Reflexos regionais e nacionais

Casos similares têm chamado atenção em outras cidades. Em Guarulhos (SP), vídeo registrado durante reintegração de posse mostra um PM disparando contra morador desarmado — atingido na perna por munição não letal — o que gerou inquérito da corporação. Reclamações de excesso de violência, disponibilidade de armas e falta de responsabilização das forças policiais são cada vez mais frequentes tanto no Paraná quanto no restante do país.

Em Lunardelli, o que está em jogo?

Questão Cenário
Proporcionalidade O homem estava desarmado e ferido foi não fatal. Mas existem métodos menos perigosos de contenção.
Abuso de autoridade Se for comprovado que o policial instigou a violência sem motivo legítimo, pode configurar crime — conforme a Lei de Abuso de Autoridade.
Precedentes no Estado Reclamações e reabertura de inquéritos mostram falhas recorrentes no uso da força pela polícia paranaense.
Futuro das investigações A abertura de inquérito militar e a atuação do MPPR serão decisivos para definir se houve crime.
 

Embora o policial alegue legítima defesa, o fato de um homem desarmado ter sido alvejado em situação de conflito menor, em local público e sem ameaça letal aparente, exige investigação criteriosa. O caso de Lunardelli pode ser marco para mudanças — no bom ou no mal sentido — nas práticas e no controle da letalidade policial no Paraná. A sociedade deve acompanhar atentamente os desdobramentos.