O Terminal Urbano Intermodal, ao que tudo indica, se tornou território fragilizado: presença constante de ambulantes, vendedores brigando entre si e com passageiros, pessoas utilizam banheiros masculinos e femininos para sexo explícito e frequentadores em uso de drogas permanecem no local à noite, além de acidentes com pedestres. Relatos pontuais indicam relatos de pessoas brigando dentro e fora das plataformas. Tudo isso confere ao terminal uma aura de insegurança que afasta seu público pagante.
Com o fim do contrato de vigilância em maio de 2025, o terminal ficou sem segurança privada. O desaparecimento dos vigilantes coincidiu com relatos de esfaqueamentos e vandalismo. Em seguida, a prefeitura contratou emergencialmente uma nova empresa, Stone Segurança Ltda, para retomar a vigilância desarmada 24 horas no terminal, rodoviária e outras unidades públicas, injetando cerca de R$ 8,6 milhões no contrato. Ainda assim, a persistência de conflitos e acampamentos mostra que a medida se restringe ao policiamento físico e não à restruturação do uso do espaço.
Em Londrina, o terminal funciona com acesso restrito: apenas usuários pagantes podem entrar. Essa eficiente delimitação reduz conflitos, clima de território aberto e marginalidade incidental. Usuários informais têm dificuldade para entrar, e o ambiente é mantido favorável ao uso público legítimo.
Acesso livre e controle ineficaz: Ao permitir entrada irrestrita na estrutura e entorno do terminal, a gestão municipal não adotou mecanismos eficazes de controle — seja via catracas, identificação ou fiscalização — e isso gerou risco.
Custo social invisível: A ocupação do espaço por uso indevido (consumo de drogas, conflitos, acampamentos) transforma investimento público em infra-estrutura abandonada — drenando recursos e confiança coletiva.
Medidas reativas, não estruturais: A segurança emergencial contratada resolve apenas parcialmente. Não há políticas sociais integradas de redução de danos, acolhimento ou reintegração dos dependentes químicos.
Símbolo de abandono urbano: O terminal deveria ser símbolo de mobilidade, funcionalidade e convivência. Tornou-se o oposto: espaço limpo fisicamente, mas hostil e inseguro em sua operação diária. Com excessão dos banheiros. O masculino, portas foram arancadas para diminuir atos sexuais (vale ressaltar, que embora a maior parte imagine ser o público assumidamente homossexual, a maioria dos homens vistos estão com alianças de casamento ou namoro, casados que buscam prazer fora da vista da família, bem como moradores de rua).
É necessário repensar o uso do terminal com urgência. A sugestão de restringir o acesso apenas a usuários pagantes tem fundamento e poderia funcionar se for acompanhada por:
Implementação de controle de acesso (sem catracas invasivas, mas com identificação digital ou integração com bilhetes eletrônicos).
Fortalecimento de políticas de acolhimento para pessoas em situação de rua e dependentes químicos — redução de danos, assistência psicossocial, encaminhamento para acolhimento.
Articulação entre secretarias de mobilidade, assistência social, segurança e saúde para criar respostas integradas ao uso irregular do espaço público.
Sim, o terminal de Maringá deveria ser repensado em seus critérios de acesso. Seguir um modelo similar ao de Londrina — limitar entrada apenas a pagantes — pode ser parte da solução, mas apenas se houver planejamento sério por trás. Caso contrário, essa medida pode empurrar o problema para as ruas ao redor, sem resolver a raiz da degradação urbana. A cidade precisa recuperar o terminal como espaço de mobilidade de qualidade e segurança, e isso demanda gestão estratégica, cidadã e efetiva, não apenas vigilantes nas portarias.
Cortar acesso não é fechar oportunidades: é restaurar a função social do terminal. E isso passa por retomar o controle com inteligência, diálogo e ação coletiva.