Cidades: Maringá Fechado é melhor?
Centro de Maringá em risco: terminal intermodal se transforma em zona de conflito
Nas últimas temporadas, o centro de Maringá tem sido alvo de uma degradação nítida: aumento de moradores em situação de rua, consumo explícito de drogas e criminalidade crescente. Usuários relatam que a região próxima ao terminal virou um ponto associado a assaltos e ocorrências frequentes de violência e invasão de espaços públicos. Muitas pessoas afirmam que a cidade “ainda é boa pra morar”, mas que a segurança no centro piorou significativamente nos últimos anos .
24/07/2025 23h35
Por: Opinião, crítica e análise

Terminal intermodal: entre acampamentos, sexo público e conflitos

O Terminal Urbano Intermodal, ao que tudo indica, se tornou território fragilizado: presença constante de ambulantes, vendedores brigando entre si e com passageiros, pessoas utilizam banheiros masculinos e femininos para sexo explícito e frequentadores em uso de drogas permanecem no local à noite, além de acidentes com pedestres. Relatos pontuais indicam relatos de pessoas brigando dentro e fora das plataformas. Tudo isso confere ao terminal uma aura de insegurança que afasta seu público pagante.

Estado da vigilância e resposta da prefeitura

Com o fim do contrato de vigilância em maio de 2025, o terminal ficou sem segurança privada. O desaparecimento dos vigilantes coincidiu com relatos de esfaqueamentos e vandalismo. Em seguida, a prefeitura contratou emergencialmente uma nova empresa, Stone Segurança Ltda, para retomar a vigilância desarmada 24 horas no terminal, rodoviária e outras unidades públicas, injetando cerca de R$ 8,6 milhões no contrato. Ainda assim, a persistência de conflitos e acampamentos mostra que a medida se restringe ao policiamento físico e não à restruturação do uso do espaço.

Fechar acesso só a usuários pagantes é solução? Comparativo com Londrina

Em Londrina, o terminal funciona com acesso restrito: apenas usuários pagantes podem entrar. Essa eficiente delimitação reduz conflitos, clima de território aberto e marginalidade incidental. Usuários informais têm dificuldade para entrar, e o ambiente é mantido favorável ao uso público legítimo.

Mas, em Maringá temos:

É necessário repensar o uso do terminal com urgência. A sugestão de restringir o acesso apenas a usuários pagantes tem fundamento e poderia funcionar se for acompanhada por:

Sim, o terminal de Maringá deveria ser repensado em seus critérios de acesso. Seguir um modelo similar ao de Londrina — limitar entrada apenas a pagantes — pode ser parte da solução, mas apenas se houver planejamento sério por trás. Caso contrário, essa medida pode empurrar o problema para as ruas ao redor, sem resolver a raiz da degradação urbana. A cidade precisa recuperar o terminal como espaço de mobilidade de qualidade e segurança, e isso demanda gestão estratégica, cidadã e efetiva, não apenas vigilantes nas portarias.

Cortar acesso não é fechar oportunidades: é restaurar a função social do terminal. E isso passa por retomar o controle com inteligência, diálogo e ação coletiva.