Cidades: Maringá Dolo eventual?
Elite maringaense come comida com produtos de limpeza, saladas na água suja, ratos mortos na cozinha, gambás e intoxicação alimentar
Chefe de cozinha e gerente transformam bistrô de clube tradicional em risco à vida
18/08/2025 08h47 Atualizada há 12 meses
Por: Opinião, crítica e análise
Foto: Google

O Maringá Clube, tradicional espaço de lazer e convivência da elite da cidade, pode estar abrigando um escândalo sanitário e institucional grave, até agora mantido longe dos olhos da presidência e do público. O caso, revelado por ex-funcionários e frelancers, revela um ambiente marcado por irregularidades sanitárias, descaso com a saúde de crianças, uso indevido de produtos tóxicos e até episódios de violência e intimidação.

A denúncia aponta diretamente para a chefe de cozinha e a ex-gerente do clube, que estariam conduzindo a operação da cozinha de forma totalmente incompatível com normas de segurança alimentar e ética profissional. Entre os relatos mais alarmantes, constam:

E enquanto a gravidade das denúncias já seria suficiente para motivar uma ação imediata da Vigilância Sanitária e do Ministério Público, o cenário se agrava com os relatos de intimidação, agressões físicas e abuso de poder por parte da gerente, que também responde por episódios de violência pessoal — incluindo uma agressão a uma ex-funcionária (sua ex-companheira) e um suposto caso de violência contra dois adolescente na porta da escola do filho.

Indrid Schiavinato (ex-gerente) e"Lu" (chefe de cozinha) - Foto: Redes Sociais - Instagram e WhatsApp

Um ambiente onde o medo reina

Ex-funcionários consultados apontam que a gestão mantém um ambiente de medo e silêncio, onde denúncias internas são abafadas e qualquer tentativa de diálogo técnico é descartada com agressividade. Um ex-freelancer, professor universitário de Administração, chegou a alertar a gerente sobre os riscos legais e sanitários que o clube enfrentaria, especialmente pelo público infantil que frequenta o espaço — mas foi ignorado. Ele destacou ainda a possibilidade de morte por intoxicação alimentar, caso medidas não fossem tomadas.

O mais chocante é que, segundo os próprios denunciantes, a presidência do clube não tem conhecimento pleno da situação. A cúpula diretiva, possivelmente distante da operação cotidiana, pode estar sendo enganada por uma gestão que oculta os riscos e manipula a comunicação interna.

Eduardo (Garçom) em indireta sobre a chefe de cozinha - Foto: Redes sociais 2024

A quem interessa o silêncio?

Este caso expõe um dilema institucional que vai além da cozinha: como um clube tradicional e respeitado pode ter sua reputação — e, pior, a saúde de seus associados — colocadas em risco por falhas graves de gestão, sem que a alta direção sequer fosse informada?

É importante destacar: a presidência do clube não tinha conhecimento das denúncias e também é vítima desse silêncio interno. As principais responsáveis são a gerente do bar e a chefe de cozinha, especialmente a gerente, que recebeu diversas denúncias e optou por não tomar nenhuma providência.

A omissão deliberada por parte dessas gestoras criou um ambiente de risco sanitário e de negligência institucional. Em um momento em que a saúde pública é um valor inegociável, o que está em jogo não é apenas o prestígio de um clube de tradição — mas a segurança e o bem-estar de dezenas de famílias que confiam nessa instituição.

Quem foi o primeiro a se pronunciar sobre o caso?

A primeira denúncia partiu de um ex-freelancer que atuava nos finais de semana no Maringá Clube. Professor universitário de administração, com nove pós-graduações e cursando mestrado nos Estados Unidos, ele trabalhava no clube como forma de complementar sua renda diante da alta do dólar — que, na época, chegava aos R$ 5,38.

Em seu depoimento, ele relatou que as condições encontradas na cozinha do clube foram devastadoras não apenas do ponto de vista profissional, mas também pessoal e psicológico. No momento da denúncia, ele enfrentava uma crise de pânico e um possível quadro de burnout. O que viu ali — más práticas, descaso sanitário e uma gestão sem preparo técnico ou legal — agravou ainda mais sua saúde mental.

“Dói muito ser formado, ter nove pós-graduações, estar cursando um mestrado, ser professor do ensino superior e ver pessoas desqualificadas e, criminosas ocupando cargos de gestão. Isso me gerou uma dor profunda. O ensino, com o avanço descontrolado do EAD, foi prostituído. Hoje, não pretendo voltar à educação.”

O denunciante relatou que teve medo de se pronunciar antes, devido ao comportamento agressivo e ameaçador da ex-gerente, a quem acusa de acobertar e perpetuar os problemas. Segundo ele, a omissão foi tão grave que chegou a testemunhar uma jornalista alimentar sua filha com uma comida que ele sabia estar em condição imprópria — e mesmo assim, não teve como alertá-la. Isso gerou nele uma profunda sensação de impotência.

“Ver empresários que conheço comendo aquilo, sem poder avisar, me fez muito mal. Foi um dos fatores que me levou a uma tentativa de suicídio nos últimos meses.”

Agora, recuperado o suficiente para denunciar, ele espera que a justiça seja feita e que o clube tome providências reais, afastando os responsáveis e protegendo os associados e funcionários.

O caso foi denunciado no Ministério Público e segue em investigação.


Gravaçao feita pelo denuciante a pedido a gerente (2024)

O próximo passo

Essa reportagem se soma à responsabilidade pública de trazer à tona o que muitos têm medo de dizer. Espera-se agora que as autoridades competentes — Ministério Público, Vigilância Sanitária e o próprio Conselho Diretor do clube — rompam o silêncio e cumpram seu papel: investigar, punir os responsáveis e garantir que o Maringá Clube volte a ser um ambiente seguro, ético e digno de sua história.

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