Regina de Oliveira Soares, mais conhecida como Regininha Poltergeist, teve uma ascensão meteórica: desde os seis anos ela estudava balé clássico, formação que durou 14 anos.
Sua carreira artística deslanchou no final dos anos 1980, quando participou de um concurso de beleza que abriu portas para o mundo do modelo. Mas foi em 1990, com o espetáculo “Santa Clara Poltergeist”, idealizado por Fausto Fawcett, que ela ganhou seu nome artístico: uma santa com poder de cura por meio do sexo.
Nos anos seguintes, ela ganhou destaque como musa dos anos 90: posou para várias revistas masculinas (Playboy, Sexy, Trip etc.), participou de programas de TV como Zorra Total (Globo) e “Domingão do Faustão”, além de protagonizar filmes mais ousados.
Com o tempo, sua carreira sofreu mudanças: ela participou de filmes adultos pela produtora Brasileirinhas. Depois, em momentos difíceis, recorreu à prostituição para se sustentar, segundo seus relatos. Também se converteu ao evangelismo, algo que transformou parte de sua visão de vida.
Nos anos mais recentes, Regininha vive uma realidade bem diferente daquelas glórias do passado.
Ela montou uma mesa simples na Rua Dias da Cruz, no Méier (Zona Norte do Rio), onde vende empadas feitas por ela mesma, além de doces e café.
Seu faturamento gira em torno de R$ 150 a R$ 200 por dia, segundo ela mesma.
Os salgados têm preços modestos: empadas por cerca de R$ 6 nas versões de frango, carne, queijo e palmito; doces por cerca de R$ 2; café também custa barato.
Ela revela que seu plano não é apenas ficar na rua: sonha em ter uma loja própria para vender empadas.
Essa transição, para muitos, pode parecer “decadente” — como alguns até chegaram a dizer —, mas Regininha se recusa a ver dessa forma. Ela afirma: “estou em paz comigo”.
A queda não foi apenas financeira:
Saúde mental
Em agosto de 2024, Regininha ficou internada por dez dias.
Foi diagnosticada com transtorno psicótico (alguns relatos citam bipolaridade) e recebeu tratamento no Instituto Philippe Pinel e no CAPS II Clarice Lispector.
Ela critica que “ninguém me internou por maldade”, mas descreve esse episódio como um pesadelo, mar de medicação e de solidão.
Problemas financeiros
Apesar da fama antiga, ela admite que gastou muito. Segundo ela, teve cinco apartamentos, comprou carros, trabalhou bastante e ganhou dinheiro, mas “perdeu tudo”.
Parte de sua renda atual vem também da aposentadoria do pai (que mora com ela) e de benefícios assistenciais.
Ela diz que poderia ganhar mais com massagem (antiga atividade), mas teme que parte da clientela relacione seu trabalho à prostituição — algo que, segundo ela, já vivenciou.
Estigma social
Apesar de sua força para recomeçar, ela conta que já foi “debochada” e chamada de “decadente” por vender empadas.
Por outro lado, alguns clientes a elogiam: segundo ela, o feedback sobre seus salgados tem sido bom.
O caso de Regininha Poltergeist nos convida a refletir:
Fama é volátil: A carreira artística depende de muitos fatores — tendências, relevância, saúde, redes de apoio. O que brilha em um momento pode se apagar rapidamente.
Beleza física não garante estabilidade: A beleza muitas vezes abre portas, mas não sustenta para sempre. Investimentos, planejamento financeiro e autoconhecimento são fundamentais para sustentar uma vida depois do auge.
Autenticidade e reinvenção: Regininha, ao voltar a algo mais “pé no chão” como vender empadas, demonstra resiliência e vontade de recomeçar com dignidade. Mesmo quando rótulos negativos surgem (“decadente”), ela afirma estar em paz — e isso é uma forma poderosa de reinvenção.
Saúde mental importa: Por trás de aparências glamorosas, podem haver batalhas profundas. A internação e o diagnóstico de Regininha lembram que o sucesso público não invalida vulnerabilidades pessoais.
Estigma social: A transição de celebridade para comerciante simples ainda carrega julgamento — não apenas por parte do público, mas também para a própria pessoa, que sente a pressão de “merecer” outro tipo de vida.
A história de Regininha Poltergeist é mais do que um relato sensacional: é um espelho para todos nós. Mostra que a fama e a beleza têm prazo de validade quando não há um plano sólido por trás. E, acima de tudo, ilustra que a dignidade não está no flash dos paparazzi, mas na coragem de recomeçar em qualquer circunstância.
Enquanto muitos poderiam ver a venda de empadas como um retrocesso, para Regininha é um novo propósito — uma escolha consciente de vida, uma reinvenção honesta. E talvez essa seja a maior lição: a verdadeira beleza está na persistência, não no brilho passageiro.