lgbtqiapn+ Fama tem validade
De Atriz da Rede Globo, Passando Pelo Conteúdo Adulto, Até Vender Empadas Para Sobreviver
A trajetória de Regininha Poltergeist — ex-modelo e símbolo sexual dos anos 1990 — é uma lembrança contundente de como fama, beleza e poder podem ser passageiras. Sua história revela lições profundas sobre vaidade, escolhas, resiliência e o preço da celebridade quando a luz se apaga.
16/11/2025 00h40 Atualizada há 9 meses
Por: Opinião, crítica e análise Fonte: BOL, Correio Braziliense, Mídia News, UOL, VEJA,

Quem é Regininha Poltergeist: 

Regina de Oliveira Soares, mais conhecida como Regininha Poltergeist, teve uma ascensão meteórica: desde os seis anos ela estudava balé clássico, formação que durou 14 anos. 

Sua carreira artística deslanchou no final dos anos 1980, quando participou de um concurso de beleza que abriu portas para o mundo do modelo. Mas foi em 1990, com o espetáculo “Santa Clara Poltergeist”, idealizado por Fausto Fawcett, que ela ganhou seu nome artístico: uma santa com poder de cura por meio do sexo. 

Nos anos seguintes, ela ganhou destaque como musa dos anos 90: posou para várias revistas masculinas (Playboy, Sexy, Trip etc.), participou de programas de TV como Zorra Total (Globo) e “Domingão do Faustão”, além de protagonizar filmes mais ousados. 

Com o tempo, sua carreira sofreu mudanças: ela participou de filmes adultos pela produtora Brasileirinhas. Depois, em momentos difíceis, recorreu à prostituição para se sustentar, segundo seus relatos. Também se converteu ao evangelismo, algo que transformou parte de sua visão de vida. 

A guinada: das capas de revista para a mesa de empadas

Nos anos mais recentes, Regininha vive uma realidade bem diferente daquelas glórias do passado.

Essa transição, para muitos, pode parecer “decadente” — como alguns até chegaram a dizer —, mas Regininha se recusa a ver dessa forma. Ela afirma: “estou em paz comigo”.

Os obstáculos por trás da fama

A queda não foi apenas financeira:

Saúde mental

Em agosto de 2024, Regininha ficou internada por dez dias. 

Foi diagnosticada com transtorno psicótico (alguns relatos citam bipolaridade) e recebeu tratamento no Instituto Philippe Pinel e no CAPS II Clarice Lispector.

Ela critica que “ninguém me internou por maldade”, mas descreve esse episódio como um pesadelo, mar de medicação e de solidão.

 

Problemas financeiros

Apesar da fama antiga, ela admite que gastou muito. Segundo ela, teve cinco apartamentos, comprou carros, trabalhou bastante e ganhou dinheiro, mas “perdeu tudo”. 

Parte de sua renda atual vem também da aposentadoria do pai (que mora com ela) e de benefícios assistenciais.

Ela diz que poderia ganhar mais com massagem (antiga atividade), mas teme que parte da clientela relacione seu trabalho à prostituição — algo que, segundo ela, já vivenciou.

Estigma social

Apesar de sua força para recomeçar, ela conta que já foi “debochada” e chamada de “decadente” por vender empadas. 

Por outro lado, alguns clientes a elogiam: segundo ela, o feedback sobre seus salgados tem sido bom. 

Por que a fama e a beleza não duram para sempre

O caso de Regininha Poltergeist nos convida a refletir:

A história de Regininha Poltergeist é mais do que um relato sensacional: é um espelho para todos nós. Mostra que a fama e a beleza têm prazo de validade quando não há um plano sólido por trás. E, acima de tudo, ilustra que a dignidade não está no flash dos paparazzi, mas na coragem de recomeçar em qualquer circunstância.

Enquanto muitos poderiam ver a venda de empadas como um retrocesso, para Regininha é um novo propósito — uma escolha consciente de vida, uma reinvenção honesta. E talvez essa seja a maior lição: a verdadeira beleza está na persistência, não no brilho passageiro.