Paraná Leis engana trouxas
Vereadora de Maringá Giselli Bianchini - Projetos inconstitucionais, propaganda eleitoral antecipada?
Entre o mandato e o palanque: quando a política vira espetáculo
24/02/2026 17h30 Atualizada há 6 meses
Por: Opinião, crítica e análise
Foto:Reprodução - Tv Camara De Maringá

O anúncio da vereadora Giselli Bianchini, de Maringá, de que pretende concorrer a um cargo de deputada, reabre um debate recorrente — e necessário — sobre os limites éticos, políticos e simbólicos do uso de mandatos eletivos como plataformas de projeção pessoal e eleitoral.

Não se trata, aqui, de acusar ilegalidades. A legislação eleitoral estabelece marcos claros sobre propaganda antecipada, e qualquer juízo jurídico definitivo cabe às instâncias competentes. O que se propõe é outra reflexão: qual é a linha que separa o exercício legítimo de um mandato do uso contínuo da visibilidade institucional para construção de engajamento político futuro?

Projetos, constitucionalidade e efetividade

Ao longo de seu mandato na Câmara Municipal de Maringá, a vereadora apresentou projetos que, segundo avaliações técnicas e manifestações públicas, enfrentaram questionamentos quanto à constitucionalidade. Projetos que nascem com fragilidades jurídicas dificilmente chegam a produzir efeitos concretos na vida da população.

Nesse contexto, a crítica não se dirige apenas ao conteúdo das propostas, mas ao modelo de atuação política: iniciativas que geram manchetes, vídeos e engajamento nas redes sociais, mas que pouco avançam no campo da implementação real de políticas públicas.

Mandato como vitrine

É legítimo que parlamentares comuniquem suas ações. A transparência é parte essencial da democracia. O problema surge quando o mandato parece operar mais como vitrine de posicionamentos simbólicos do que como espaço de produção legislativa eficaz.

Se houvesse um conjunto robusto de resultados concretos — leis aplicáveis, melhorias mensuráveis, impactos sociais claros — o uso da visibilidade institucional seria consequência natural do trabalho. O que se observa, no entanto, é uma ênfase crescente na performance, no discurso e na polarização como ferramentas de engajamento.

A política sob a lente da “sociedade do espetáculo”

Essa dinâmica pode ser analisada à luz da teoria da “sociedade do espetáculo”, formulada pelo pensador francês Guy Debord. Para Debord, a sociedade moderna substitui a experiência concreta pela representação; o que importa não é o que se faz, mas o que se mostra.

Aplicada à política, essa lógica transforma o mandato em palco, o parlamentar em personagem e o cidadão em espectador. A ação política deixa de ser medida por seus efeitos materiais e passa a ser avaliada por curtidas, compartilhamentos e alcance digital.

Nesse modelo, o conflito rende mais que a solução, a frase de impacto gera mais retorno que o trabalho técnico, e o espetáculo suplanta a gestão.

Propaganda antecipada ou antecipação simbólica?

Sem afirmar qualquer irregularidade legal, é possível questionar: quando a comunicação política deixa de ser prestação de contas e passa a operar como antecipação simbólica de campanha? Não no campo jurídico, mas no campo ético e democrático.

A utilização recorrente da cadeira legislativa para ampliar notoriedade pessoal, especialmente quando associada a projetos juridicamente frágeis, provoca um esvaziamento do sentido do mandato. A política, nesse caso, corre o risco de se tornar menos instrumento de transformação social e mais estratégia de autopromoção.

O que se espera de quem deseja subir degraus

A ambição política é legítima. Disputar novos cargos faz parte da democracia. Mas a ascensão deveria ser consequência de trabalho comprovado, e não apenas de visibilidade construída.

A população não precisa apenas de representantes que “apareçam”, mas de representantes que resolvam, que compreendam os limites constitucionais, que dialoguem com a técnica e que entreguem resultados concretos.

Quando o espetáculo ocupa o centro da cena, a política perde profundidade. E quando o mandato vira palanque permanente, quem paga o preço é a própria democracia.

Nota ao leitor

Antes que surjam críticas do tipo “mas onde está a fala da vereadora?” ou “jornalismo precisa ser imparcial”, é fundamental esclarecer alguns pontos.

No jornalismo, existem diversos gêneros textuais. Quando se fala em reportagem, de fato, é necessário ouvir os dois lados envolvidos. No entanto, esta publicação não é uma reportagem, e sim um artigo de opinião — um gênero que, por natureza, não tem a obrigação de apresentar versões opostas, justamente por se propor a analisar, interpretar e opinar sobre fatos públicos.

Vale ressaltar que opinião não é licença para ilegalidade. Mesmo em artigos opinativos, o conteúdo deve respeitar os limites da lei. Neste texto específico, foram feitos questionamentos, análises e reflexões críticas, sem acusações, sem imputação de crime e sem juízo condenatório, exatamente como ocorre em outros artigos de opinião publicados em nosso site.

A crítica, quando fundamentada, é parte essencial da democracia e do debate público. E o direito à opinião, exercido com responsabilidade, também.

Autor: Michel Hajime

Fui abusado sexualmente aos 16 anos dentro de uma emissora de televisão por um segurança saindo da gravação de uma novela quando era figurante, na semana do meu aniversário de 17 anos um produtor me ofereceu trabalho em troca de sexo e se masturbou na minha dentro do camim, durante a produção de uma novela famosa.

Passei por uma possível tentativa de “cura gay”, sofri ameaças de morte e agressões, presenciei casos de racismo, gordofobia, entre outras violências. Tentei suicídio mais de uma vez. Fui parar no CAPS após ser diagnosticado com crise de pânico. Todos os meus casos foram negligenciados, mesmo após cobranças ao poder público.

Nunca imaginei que essa patologia fosse tão cruel. Cheguei a ter feridas que ficaram na carne viva. Antes, se outra pessoa tivesse, eu falaria que era “mimimi”, até viver na própria pele. Embora todas as crueldades que sofri, não desejo isso nem para o meu pior inimigo.

Hoje, luto contra tudo pelo que passei. Mesmo tendo sido coagido, perseguido e até estar sendo ameaçado de morte, nunca deixarei de lutar, principalmente pelas crianças inocentes (seu eu que fui abusado na nadolecência me doí muito, imagina uma criança). Podem até me matar, mas morro como homem — muito mais homem do que aqueles que fazem discursos moralistas, mas defendem o indefensável.

Hoje, a maior dor como gay é ver a homossexualidade ligada ao abuso infantil, quando a maior parte dos casos de abuso é heterossexual (principamente entre familiares). Soma-se a isso a dor de ser agredido por homens casados que se relacionam com outros homens, mas, para disfarçar, agem de forma homofóbica e usam a religião para se esconder.

Creio em Deus e sei da importância da religião. Porém, hoje, muitas pessoas que nunca foram de Deus usam a religiosidade como disfarce para seus crimes e perversões. Ainda assim, sei que do nosso Pai nada se esconde. Neste mundo tomado por pessoas imundas, nada passa despercebido aos olhos do Nosso Pai Celestial. E, mesmo sofrendo tudo isso, Ele saberá que, embora eu tenha me tornado uma vítima da sociedade — discurso que até descobrir que estava em crise de pânico eu abominava —, eu não me rendi e sigo lutando pelo que Deus realmente prega: Amor, Caridade e Respeito.

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