Vivemos uma era em que plataformas digitais se apresentam como espaços de liberdade, diversidade e expressão. No entanto, quando observamos mais de perto o funcionamento de redes como o Instagram, da Meta, e o X (antigo Twitter), sob o comando de Elon Musk, emerge um paradoxo inquietante: enquanto conteúdos LGBTQ+, inclusive adultos, geram engajamento e lucro, essas mesmas plataformas são frequentemente acusadas de tolerar — ou até amplificar — discursos hostis contra essa comunidade.
No caso do X, há evidências concretas de mudanças que impactaram diretamente usuários LGBTQ+. Após a aquisição por Musk, organizações como a Anistia Internacional relataram aumento significativo de discurso de ódio na plataforma, com 60% dos entrevistados afirmando ter percebido crescimento desse tipo de abuso (). Além disso, políticas que antes protegiam pessoas trans foram enfraquecidas ou removidas (). Isso não configura, necessariamente, uma “homofobia declarada” no sentido formal, mas evidencia decisões estruturais que tornam o ambiente mais hostil — o que, na prática, produz efeitos semelhantes.
Ao mesmo tempo, essas plataformas continuam lucrando com a atenção gerada por conteúdos LGBTQ+. O engajamento — seja por apoio, consumo ou até controvérsia — é monetizado por meio de publicidade, impulsionamento e algoritmos. O sistema não distingue moralmente o conteúdo: ele prioriza aquilo que mantém o usuário conectado. Assim, conteúdos adultos gays, perfis de criadores e discussões sobre sexualidade tornam-se parte de uma engrenagem econômica altamente lucrativa.
Esse é o ponto central da contradição: não é necessário apoiar uma comunidade para lucrar com ela. Basta que ela gere tráfego.
No caso do Instagram, pertencente à Meta Platforms de Mark Zuckerberg, relatórios recentes também indicam falhas na proteção de usuários LGBTQ+, com críticas de organizações como a GLAAD sobre a flexibilização de regras contra discurso de ódio (). A crítica recorrente não é que a empresa seja explicitamente homofóbica em discurso institucional, mas que suas políticas e sua aplicação prática permitem a circulação desse tipo de conteúdo — enquanto continuam monetizando a presença LGBTQ+ na plataforma.
Esse modelo revela uma lógica mais ampla do capitalismo digital: a neutralidade aparente esconde uma seletividade econômica. O que importa não é quem você é, mas quanto engajamento você gera. Nesse cenário, minorias podem ser simultaneamente exploradas como mercado e negligenciadas como grupo social.
Portanto, a questão talvez não seja simplesmente rotular os donos dessas plataformas como “homofóbicos” — embora declarações e decisões específicas possam alimentar essa percepção —, mas entender que o sistema que eles operam é, acima de tudo, orientado pelo lucro. E, nesse sistema, a diversidade é bem-vinda enquanto for rentável; quando exige proteção, moderação ou posicionamento ético mais firme, torna-se um custo.
No fim, o paradoxo permanece: as mesmas plataformas que lucram com corpos, identidades e narrativas LGBTQ+ são aquelas onde essas mesmas pessoas frequentemente precisam lutar por respeito, visibilidade segura e dignidade.
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Rede Geração, o novo padrão do jornalismo - opinativo, crítico e analítico, por meio do jornalista Michel Hajime
Autor: Michel Hajime
Fui abusado sexualmente aos 16 anos dentro de uma emissora de televisão por um segurança saindo da gravação de uma novela quando era figurante, na semana do meu aniversário de 17 anos um produtor me ofereceu trabalho em troca de sexo e se masturbou na minha dentro do camim, durante a produção de uma novela famosa.
Passei por uma possível tentativa de “cura gay”, sofri ameaças de morte e agressões, presenciei casos de racismo, gordofobia, entre outras violências. Tentei suicídio mais de uma vez. Fui parar no CAPS após ser diagnosticado com crise de pânico. Todos os meus casos foram negligenciados, mesmo após cobranças ao poder público.
Nunca imaginei que essa patologia fosse tão cruel. Cheguei a ter feridas que ficaram na carne viva. Antes, se outra pessoa tivesse, eu falaria que era “mimimi”, até viver na própria pele. Embora todas as crueldades que sofri, não desejo isso nem para o meu pior inimigo.
Hoje, luto contra tudo pelo que passei. Mesmo tendo sido coagido, perseguido e até estar sendo ameaçado de morte, nunca deixarei de lutar, principalmente pelas crianças inocentes (seu eu que fui abusado na nadolecência me doí muito, imagina uma criança). Podem até me matar, mas morro como homem — muito mais homem do que aqueles que fazem discursos moralistas, mas defendem o indefensável.
Hoje, a maior dor como gay é ver a homossexualidade ligada ao abuso infantil, quando a maior parte dos casos de abuso é heterossexual (principamente entre familiares). Soma-se a isso a dor de ser agredido por homens casados que se relacionam com outros homens, mas, para disfarçar, agem de forma homofóbica e usam a religião para se esconder.
Creio em Deus e sei da importância da religião. Porém, hoje, muitas pessoas que nunca foram de Deus usam a religiosidade como disfarce para seus crimes e perversões. Ainda assim, sei que do nosso Pai nada se esconde. Neste mundo tomado por pessoas imundas, nada passa despercebido aos olhos do Nosso Pai Celestial. E, mesmo sofrendo tudo isso, Ele saberá que, embora eu tenha me tornado uma vítima da sociedade — discurso que até descobrir que estava em crise de pânico eu abominava —, eu não me rendi e sigo lutando pelo que Deus realmente prega: Amor, Caridade e Respeito.