Publicidade

Livro da Editora UEL detalha história de Londrina nas décadas de 1950 e 1960

A história de Londrina começa nos anos 20 do século passado, com um grande empreendimento: a exploração comercial das terras do Norte do Paraná, a ...

Por: Redação Fonte: Secom Paraná
02/02/2022 às 15h00
Livro da Editora UEL detalha história de Londrina nas décadas de 1950 e 1960
Foto: José Fernando Ogura/AEN

A história de Londrina começa nos anos 20 do século passado, com um grande empreendimento: a exploração comercial das terras do Norte do Paraná, a oeste do rio Tibagi, área até então coberta de mata nativa habitada por indígenas e posseiros. Os primeiros colonos chegaram em 1929 e, duas décadas depois, a cidade já era um polo regional, graças à cafeicultura. Mas a partir daí, surgiram conflitos muito pouco lembrados pelos londrinenses.

Esta é apenas uma parte do conteúdo do livro “Excluídos do Café: planejamento urbano e conflitos sociais em Londrina nas décadas de 1950 e 1960” , publicado pela Editora da UEL (EDUEL) em formato digital. A obra é fruto da dissertação de Mestrado do professor Eder Cristiano de Souza, historiador formado pela UEL e que desenvolveu a pesquisa na UEM entre 2006 e 2008. Ele também é Doutor em Educação pela UFPR (2014) e docente da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).

Tendo como fontes principais as leis municipais do período, obtidas com a Câmara de Vereadores de Londrina, jornais (“O Combate” e Folha de Londrina) e revistas do acervo do Núcleo de Documentação e Pesquisa História da UEL (NDPH/CLCH), o pesquisador encontrou uma série de conflitos populares e de classe associados ao processo de desenvolvimento urbano da cidade, entre 50 e 60.

Desde o início, a Companhia de Terras Norte do Paraná produziu intensa propaganda da fertilidade e potencialidade da região, como um novo “Eldorado”, o que naturalmente atraiu brasileiros, sobretudo da região Sudeste e Nordeste, e estrangeiros. Porém, nem todos foram casos de sucesso. Muitos compraram terras e não puderam pagar, ou já vieram para serem trabalhadores nas terras de outros.

A quantidade de migrantes gerou uma explosão demográfica que resultou em ocupações irregulares, totalmente fora do planejamento inicial da Companhia de Terras. A linha férrea, por exemplo, que ficava onde hoje é a Avenida Leste-Oeste, era um divisor. Abaixo dela, as vilas Nova e Recreio faziam parte do plano de ocupação. Todas as outras no entorno, como a Vila Yara e Vila Portuguesa, começaram como bairros irregulares.

Segundo Eder, nos anos 50 a cafeicultura já começava a declinar na cidade. As fortes geadas de 1953 e 1955 tiveram grande impacto na região. Em Londrina, resultou, por exemplo, no deslocamento de trabalhadores rurais, que passaram a morar no meio urbano, mas continuaram a trabalhar no campo. Eram os boias-frias. Outro efeito foi a busca pela diversificação de atividades, o que motivou o crescimento da cidade.

Foi nesta época, de acordo com o historiador, que apareceram as primeiras leis sistematizadas de planejamento urbano, como a Lei de Zoneamento, de 1951, o Código de Posturas, de 1953, e o Código de Obras, de 1955. Para a criação da Lei de Zoneamento, a Prefeitura contratou a consultoria do arquiteto e político paulista Francisco Prestes Maia.

Ele foi um dos urbanistas responsáveis pela consolidação da profissão no País e prefeito de São Paulo por dois períodos. Prestes Maia realizou planos urbanísticos em muitas outras cidades, como Santos, Curitiba, Belo Horizonte, Ribeirão Preto e Recife. São Paulo era um modelo a ser copiado.

A ideia de então era fazer de Londrina uma cidade moderna, voltada para o futuro, rica. Ou seja, a propaganda continuava. Para dar um exemplo, o Código de Posturas proibiu as charretes na cidade, um dos símbolos do passado que deveria ser deixado para trás. Eder diz que a lei trazia até dispositivos de natureza moral para a população. Paralelamente, a sociedade começou a se organizar. Surgiram associações de moradores, os primeiros sindicatos e movimentos populares.

POLÍTICAS HABITACIONAIS– Conforme relata o professor Eder, nos anos 60 a Prefeitura de Londrina começou a apresentar outro discurso, falando de desenvolvimento, mas também de políticas habitacionais. Foi a década em que chegaram à cidade serviços como o Sercomtel, Copel e Sanepar, até então oferecidos precariamente por companhias locais. Em 1961, surgiu também o Fundo de Habitação, quatro anos mais tarde substituído pela Cohab-LD (Companhia de Habitação de Londrina).

Em 1966, houve um conflito chamado “Grilo da Caixa”. O nome “grilo” vem de uma gíria antiga e conhecida na cidade que designava as ocupações irregulares.

No caso, cerca de 400 famílias, em dois anos, ocuparam uma área hoje conhecida como “Favela da Bratac”. Em 1968 saiu uma ordem de despejo e reintegração de posse, que não foi executada. Vários políticos da época se posicionaram a favor das famílias.

No fim, a Caixa Econômica acabou cedendo, foi feito um grande investimento da Cohab e os ocupantes se mudaram para o novo conjunto habitacional. Porém, novos invasores iam para a área “liberada”. Muitos outros projetos de urbanização, revitalização e desfavelização vieram depois. Destaca-se, segundo o historiador, o plano de revitalização do bairro em 1978.

Eder comenta ainda que Londrina, proporcionalmente ao seu tamanho, é uma cidade com grande quantidade de casas populares. E lembra que os bairros da zona norte, conhecidos como Cinco Conjuntos, foram um destes empreendimentos. Hoje a região compreende mais de 20 bairros e 40 mil habitantes.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Exclusivo Há 4 dias

Pedofilia: Decorador de festas infantis de Maringá preso por estuprar menino está solto e continua trabalhando com crianças

O rapaz é idolatrado por muitos profissionais do setor de eventos nas duas cidades. “Mas ele é gatinho” é uma das justificativas frequentemente apontadas para a admiração que recebe quando se fala no assunto. No entanto, muitos profissionais parecem ignorar uma questão fundamental: a segurança dos filhos dos clientes. Trata-se de uma crise que vai muito além da gestão empresarial do ramo de festas. Diante da repercussão do caso, a população faz um grande questionamento: onde estão as associações comerciais das cidades e os vereadores para se posicionarem sobre o assunto? - Assine e veja a reportagem completa

Fim da credibilidade Há 4 dias

Atualmente, ninguém quer falar mal de alguém

O fim da autoridade ou apenas o excesso de opinião?

Falou merda! Há 2 semanas

Quem é o ator famoso que criticou fãs brasileiros e nunca mais teve sucesso

A Ironia da Fama: quando o sonho vira incômodo... e o silêncio vira realidade

Agenda Há 2 semanas

Curitiba Folia anuncia 5ª edição com Tomate, Xanddy Harmonia e Parangolé na icônica Pedreira Paulo Leminski

Ingressos para a micareta, que será realizada em dezembro e marca a estreia do evento no tradicional ponto turístico curitibano, começam a ser vendidos no dia 10 de agosto

Agenda Há 2 semanas

Shopping São José recebe primeira exposição indoor do Brasil com um dragster de 10 metros

Encontro Drive Club reúne carros clássicos, personalizados e projetos especiais até 9 de agosto; destaque é um dos maiores carros de arrancada do país