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Quais os impactos do conflito Rússia x Ucrânia para o Brasil

Contrato futuro do petróleo, sanções políticas e econômicas são as que mais vão afetar o nosso país

Por: Jornalismo Fonte: Assessoria
24/02/2022 às 14h19 Atualizada em 24/02/2022 às 14h38

De acordo com o analista político, Leopoldo Vieira, o principal impacto que a crise ucraniana pode ter no Brasil é em relação ao preço dos combustíveis: 

 

“Como efeito colateral da guerra, o contrato futuro do petróleo Brent em Nova York subiu nesta manhã a 8,08%, cotado a US$104,68, o que deve pressionar a Petrobras e o sistema político, uma combinação que traz risco à atual política dolarizada.

 

Mas, além disso, pode impactar as economias americana e chinesa, com algum efeito possível sobre as expectativas de crescimento.

 

A alta do petróleo, em virtude da Ucrânia, também influencia no preço dos transportes e alimentos, temas caros para as camadas de baixa e média renda, afora a carestia nas bombas de gasolina.

 

Ontem, o Senado Federal adiou para depois do Carnaval a votação de um pacote dos combustíveis, atrasando uma solução.

 

Por fim, o posicionamento do governo em relação à crise pode fazer o país se isolar dos Estados Unidos (EUA) e da União Europeia (UE) geopoliticamente, afora o que já estava por questões ambientais.

 

Por outro lado, empresas russas são importantes fornecedoras de fertilizantes no Brasil, como a Vittia, e podem sofrer sanções. Além de a Uralkali e a Uralchem terem investido fortemente no Brasil nos últimos dois anos. Assim como a EuroChem que comprou a Fertilizantes Heringer, com capital aberto na bolsa.

 

Não se descartam efeitos sobre o agro brasileiro, o que depende da abrangência de eventuais sanções secundárias impostas pelos EUA e a UE (Informação adquirida via fontes do Scoop, ferramenta que fornece informações do mercado em primeira mão aos assinantes do TC)”.

 

Análise econômica com Fernanda Mansano

 

Já a economista Fernanda Mansano, alerta para a instabilidade e incerteza no cenário econômico, e ressalta três áreas com maiores impactos: 1. Inflação e crescimento mundial; 2. Política monetária e ativos emergentes; e 3. Commodities.

 

“Em síntese, o ambiente de guerra fará a economia mundial sofrer por diferentes frentes. A regra será instabilidade e incerteza. Veremos maior inflação, menor crescimento econômico, fuga de capital dos países emergentes, dólar forte e queda generalizada nos ativos de riscos. No front monetário, veremos uma possível mudança de trajetória ou, ao menos, maior cautela na manutenção do ritmo contracionista dos bancos centrais. A alta nas commodities corrobora com a piora na inflação global e a deterioração das disrupções nas cadeias de suprimentos“.

 

Rússia invade a Ucrânia: quais os impactos na economia global?

 

Em um dia histórico para o mundo, a Rússia invade a Ucrânia e instaura a maior operação militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Desafiando a nova ordem mundial do pós-guerra, Vladimir Putin segue com seu plano de dominação sobre o continente Europeu, iniciado na Georgia em 2008 e na Crimeia em 2014. Horas depois, a China se aproveita do contexto de guerra para posicionar tropas no território de Taiwan. Além dos efeitos sociais e geopolíticos, o impacto na economia será devastador. Mal o mundo entrou nos trilhos da recuperação pós Covid-19 e já terá novos desafios para frente.

 

1. Inflação e crescimento mundial Um dos impactos mais óbvios da deflagração da Guerra é no crescimento econômico mundial. As sanções econômicas dos países ocidentais à Rússia, a paralisação de indústrias e comércios e a queda nas exportações e importações mundiais certamente afetará o ímpeto de crescimento da economia global. Além da queda nas taxas de crescimento esperadas para 2022, a inflação será triplamente afetada pelo i) prolongamento dos problemas logísticos e da cadeia global de suprimentos e repique nos custos dos fretes; ii) choque nos preços das commodities, sobretudo as energéticas e agrícolas e iii) desabastecimento e escassez de produtos.

 

2. Política monetária e ativos emergentes Esse evento poderá marcar uma guinada na política monetária mundial. O principal choque é de oferta, o que limita a atuação dos bancos centrais além de aumentar a fragilidade econômica. Nos EUA, o Federal Reserve deverá ter cautela no ritmo de subida de juros e magnitude do aumento posto a complexidade do conflito. Nesse ambiente de aversão ao risco generalizado, os ativos e moedas emergentes serão fortemente penalizados. A busca defensiva por ativos seguros significa dólar forte, o que reverterá a apreciação que temos visto do real em relação ao dólar. No Brasil, a postura do BCB poderá ser menos hawkish, buscando proteger a atividade e o mercado de trabalho.

 

3. Commodities As commodities já estavam em trajetória acelerada no início de 2022 e em um cenário de guerra esse movimento será levado ao limite. A começar pelas commodities energéticas, o petróleo já abriu o dia em alta de mais de 8%, posto que a Rússia é um dos principais países produtores de petróleo, fornecendo 10% da oferta mundial do óleo. Além disso, 30% do fornecimento de gás natural europeu vem da Rússia. Quanto a commodities agrícolas, a Ucrânia é uma das maiores produtoras de trigo, além de se destacar na produção de milho. Assim, veremos uma redução abrupta da oferta global de diversas commodities, exercendo pressão adicional e contínua sobre os seus preços.

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