A sociedade em que vivemos é composta por seres humanos que, por obviedade, não são perfeitos. Exigir perfeição de quem é imperfeito é uma conduta que beira a loucura. Isso tudo parece muito óbvio, mas precisa ser dito. Os socialistas estão por toda a parte e não estão lutando por um mundo melhor, mas, sim, por um mundo perfeito. Logo, o sonho socialista é uma infantilidade, é um sonho de fadinhas. Eles querem sacrificar tudo o que temos por um futuro imaginário de bem estar social onde não haverá ricos e pobres. Toda a diferença social vai ser substituída pela sonhada igualdade material. E vão sonhando...
Imaginemos um debate com um socialista onde digamos a ele que todos os anos, fazendo as coisas de forma conservadora, milhões de pessoas são tiradas da pobreza. O Esquerdista, com certeza, apresentará algum trabalho acadêmico (para dizer que é amante da ciência) mostrando que outros milhões de pessoas continuam sofrendo com a pobreza e que isso não poderia ser assim. O pior é que o socialista só vê uma forma de acabar com a pobreza: abolir a propriedade privada. Até parece que no sistema capitalista o pior explorador não é o Estado, que é tão adorado pelos socialistas.
Por mais que tentemos mostrar ao socialista que a questão da desigualdade social não tem como culpada a propriedade privada, mas, que varia de acordo com o interesse e o esforço de cada pessoa, ele nos dirá que somente com a abolição da propriedade privada teremos um individualismo sadio, onde os seres humanos deixariam sua sanha de adquirir riquezas e passariam a viver de forma harmônica, sem se preocupar com a acumulação de bens materiais.
Há uma ideia marxista que diz que um homem só se torna humano após a instalação do comunismo. Isso significa dizer que aquilo o que o homem foi durante todo o passado e o que é no presente é algo que não se pode definir muito bem. Essa pretensão dos esquerdistas de fazer com que a humanidade somente exista com a instituição do comunismo é, no mínimo, asquerosa. O ser humano tem defeitos em todos os regimes, países, estados, cidades, e, bem por isso é humano. Se fosse perfeito seria um ser angelical.
É difícil acreditar que as pessoas ainda acreditam no que Marx e Engels disseram. Como o socialismo poderia tornar a vida das pessoas melhores se aniquila a vida familiar em prol do Estado? Uma vida com a abolição da propriedade privada faz com que os laços familiares sejam reduzidos a nada. Qualquer pessoa adulta pode entender que a ausência de respeito pela propriedade privada não conduz à liberdade.
O ser humano é apto para desfrutar das liberdades civis na medida em que tem a disposição de frear os seus apetites, na medida em que ama a justiça de modo que consegue colocar limites à sua ganância. As liberdades somente podem ser cultivadas e exercidas de forma integral se os indivíduos forem ensinados a ouvir os conselhos dos mais velhos e daqueles que são, por natureza ou por evolução, portadores da bondade e da sabedoria. E nem se diga que o Estado provê a Educação. Quem educa é a família. Nenhum Governo tem o Direito de querer obrigar qualquer pessoa a aprender aquilo que ele (governo) julga ser melhor para o indivíduo.
Com a instalação de uma sociedade socialista, evidentemente, a população poderia enfrentar uma diminuição na intelectualidade social, o que geraria uma interrupção na marcha do progresso. Em uma sociedade onde o estado comunista manda em tudo, as pessoas dependem do poder estatal para conseguir saúde, educação, moradia, trabalho, sem que isso seja uma virtude cultivada pelos indivíduos. O que a doutrina comunista quer é que tudo que o individuo consiga seja debitado como um “favor” prestado pelo Estado.
O sistema socialista é um atentado contra a natureza humana. Os socialistas não acreditam que o homem pode melhorar a sociedade melhorando a si próprio. Não é à toa que todo regime comunista se propõe a desenvolver um Homem Novo que não tenha paixões e nem ganâncias e nem queira o melhor para si e para sua família. Em todos os lugares onde esse sonho comunista foi implantado o que se viu foi que as pessoas continuaram sonhando com melhorias individuais, que não foi possível fazê-las pensar no coletivo, mesmo com a força das armas ou como positivismo das leis.
O mundo somente será diferente na medida em que cada pessoa, com o seu esforço, conseguir domar a sua ganância e contribuir para uma sociedade mais justa. Mas isso não pode vir de imposição estatal. Isso deve ser obtido com a evolução da espécie humana, com os erros e acertos com os quais uma coletividade precisa conviver, com as pessoas sendo humanas a ponto de conseguir entender que quando um ganha todos ganham e quando um perde todos perdem. Isso não vem da batuta comunista, mas, sim, do obrigatório progresso espiritual da humanidade. Querer forjar o caráter humano pela força das armas ou das leis é um erro que não se pode tolerar.
Para finalizar, como dizia Murray N. Rothbard “A melhor maneira de o governo ajudar aos pobres, portanto – bem como o resto da sociedade – é saindo do seu caminho, removendo sua enorme e parasitante rede de impostos, subsídios, ineficiências e privilégios monopolísticos”. Portanto, não é necessário “mais governo” para moldar o caráter humano, mas, pelo contrário, quanto “menos governo” houver, mais evoluiremos para a destruição da pobreza no mundo.