
Com a pandemia da Covid-19 vimos aumentar, de forma exponencial, o culto à ciência. O mais comum é ver pessoas que nunca foram adeptas do conhecimento científico ficar repetindo como se fossem papagaios: “siga a ciência”... “siga a ciência”.
Em momento algum da história da humanidade a ciência pôde ditar quais decisões deveriam ter sido tomadas. Evidentemente, a ciência é um instrumento que pode fornecer dados para que as decisões sejam tomadas, mas, jamais pode ela mesma (ciência) dizer qual é a política pública que deve ser implementada.
O que faz com que uma pessoa tome ou deixe de tomar suas decisões são os valores que ela possui. Enquanto os cientistas trabalham para fornecer dados, as pessoas se munem dos valores e das escolhas morais para que as suas decisões sejam as melhores possíveis. Até porque, a ciência em si não tem nenhuma conexão com a moral. Ela pode ser usada para o bem ou para o mal.
Para embasar as diversas decisões que uma autoridade toma (seja em tempo de pandemia ou fora dele) a ciência é utilizada como um direcionamento que ajuda a alcançar a meta. Um gestor, ao decidir, leva em linha de conta interesses e valores, de modo que não há maneira científica de se tomar uma decisão que irá influenciar a vida de milhares de pessoas sem que antes essa decisão tenha sido fundamentada em valores e interesses.
No caso da pandemia da Covid pudemos ver, claramente, que tanto aqueles que diziam seguir a ciência cegamente quanto aqueles que não fizeram os indivíduos ficarem trancados em suas casas experimentaram mortes, pessoas que passaram pela doença e não apresentaram sintomas e, ainda, aqueles que passaram pela doença e saíram com sequelas.
A realidade é que os cientistas podem tomar os dados da Covid e chegar a conclusões diversas sobre a melhor decisão a ser tomada. Essas decisões podem ser diferentes e nenhum dos gestores pode ser acusado de má-fé. Isso porque cada um deles utilizou a ciência para tomar suas decisões baseadas em valores particulares.
O que está acontecendo, inclusive no Brasil, não é uma guerra científica, mas, sim, uma guerra de ideologias. Não importa o que os cientistas digam. O que vai importar, ao fim e ao cabo, é que os ideólogos dizem. O resto é um circo armado onde não faltam palhaços para entreter a platéia.