
“Vivemos uma epidemia no Brasil”, disse o então ministro da Cidadania, Osmar Terra, ao se referir ao avanço das drogas no país. Isso em 2019.
Embora o ministro não tenha se referido a números, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz, concluída em 2017, aponta que o Brasil possuía cerca de 3,5 milhões de usuários de drogas. Além disso, 200 mil brasileiros afirmaram terem feito o uso de crack recentemente (no ano da pesquisa).
PANDEMIA
Durante a pandemia da Covid-19, no entanto, para tornar a situação ainda mais preocupante, o consumo se intensificou, conforme já demonstram vários estudos.
A Revista Veja publicou, por exemplo, um estudo apontando que, no ano passado, nos primeiros meses de isolamento social, houve aumento de 54% no número de atendimentos no Sistema Único de Saúde por uso de alucinógenos em comparação com mesmo período do ano anterior.
Durante o mesmo período, cresceu ainda em 36% o uso de maconha no país, e 35% de intoxicação por álcool no Rio de Janeiro, o que espelha outras regiões.
ALERTA
Apresentamos esses dados para reforçar o alerta de que é preciso muito mais que ações governamentais isoladas para se conter o avanço das drogas. Além de campanhas educativas, a exemplo desta aqui do nosso Hospital Psiquiátrico, o Estado precisa se unir às iniciativas de tantas organizações não-governamentais, bem como comunidades terapêuticas, entre outros atores sociais, em busca de soluções de enfrentamento mais assertivas.