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Estudos sugerem que a mulher tem mais compaixão do que o homem

Por Claudia Petry, pedagoga com especialização em Sexologia Clínica, membro da SBRASH (Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana) e especialista em Educação para a Sexualidade pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC/SC)

Por: Jornalismo
29/03/2023 às 00h51

Geralmente, as mulheres são mais compassivas do que os homens. Em uma pesquisa feita nos Estados Unidos, 80% dos americanos expressaram essa opinião. Isso é um estereótipo sexista? Talvez não. O que os cientistas vêm estudando é a possibilidade de o cérebro das mulheres processar a compaixão de maneira diferente dos homens.

 

Isso acontece, aparentemente, devido à maneira distinta como os sistemas neurais femininos evoluíram, provavelmente, em conexão com o desenvolvimento de habilidades associadas às necessidades emocionais dos filhos, como, por exemplo, a comunicação pré-verbal materna.

 

Uma equipe de Neurobiologia do México realizou um estudo com 12 mulheres e 12 homens. Os participantes viram uma série de 100 fotografias, enquanto seus cérebros eram digitalizados. A cada duas imagens, uma evocava compaixão. Exemplos incluíam rostos tristes, cenas de guerra, representações de fome, entre outras.

 

Os pesquisadores perceberam que quando as fotos que evocavam a compaixão eram vistas, o cérebro das mulheres ativava duas áreas, incluindo uma maior no cerebelo, cuja estrutura envolve características como julgamento, atenção seletiva e experiência afetiva, além de desempenhar um papel na decisão de executar ações de ajuda.

 

Já nos homens, nenhuma dessas duas áreas foram ativadas. Embora este estudo não confirme que a mulher tenha, de fato, mais compaixão do que o homem, sugere uma divergência em como a compaixão é experimentada e expressada por ambos.

 

Outro fator que pode justificar esta diferença é a ocitocina, um hormônio produzido pelo hipotálamo, presente nas mulheres em níveis mais altos. Sua função é promover as contrações musculares uterinas; reduzir o sangramento durante o parto; estimular a liberação do leite materno; desenvolver apego e empatia entre pessoas; produzir parte do prazer do orgasmo; modular a sensibilidade ao medo; entre outras.

 

A ocitocina também auxilia na facilitação da confiança e do apego entre pessoas, além de diminuir os níveis de cortisol, hormônio que causa o estresse. Conhecida como o “hormônio do amor”, ela tende a baixar a agressividade nos homens. No entanto, sua atuação costuma ser bloqueada pela testosterona.

 

Pode ser que as mulheres sejam, sim, mais compassivas. Porém, a compaixão e a bondade são sentimentos que podem estar presentes em qualquer ser humano. Vale lembrar que temos que levar em conta uma série de aspectos individuais, como genética, personalidade, histórico, cultura, entre outros.

 

Pesquisas e fatores biológicos/hormonais apontam que a mulher tende a ser mais sensível, mas isso não significa que seja uma regra geral. Pessoas são diferentes, e cada uma tem suas próprias características. Independentemente de gênero.

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