Publicidade

Igualdade das mulheres faz Lei Maria da Penha cair por terra

Ao lutar pelo direito de igualdade das mulheres aos homens a Lei Maria da Penha perde sentido, pois ela foi criada para proteger a mulher do homem por serem mais forte

Por: Opinião, crítica e análise
14/03/2025 às 17h18 Atualizada em 14/03/2025 às 19h33
Igualdade das mulheres faz Lei Maria da Penha cair por terra
Foto: Onu

A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, foi uma grande conquista para a proteção das mulheres contra a violência doméstica e familiar no Brasil. Criada com base na premissa de que as mulheres, devido à sua fragilidade física e à desigualdade histórica e social, são mais vulneráveis à violência dos homens, a lei ofereceu um suporte jurídico robusto para garantir que essas vítimas tivessem a proteção que mereciam. Contudo, à medida que as discussões sobre a igualdade entre homens e mulheres ganham força, surge uma questão crucial: a Lei Maria da Penha faz sentido em uma sociedade onde as mulheres são equiparadas aos homens em todas as esferas, inclusive em relação à violência doméstica?

A Função da Lei Maria da Penha: Proteção com Base na Desigualdade Física e Social

O objetivo primordial da Lei Maria da Penha é proteger as mulheres da violência doméstica, algo que, historicamente, tem sido uma realidade constante no Brasil e no mundo. Em sua essência, a lei reconhece que as mulheres, devido à diferença física entre os gêneros, são mais vulneráveis a abusos por parte de seus companheiros. Essa vulnerabilidade não é apenas física, mas também psicológica, uma vez que a sociedade tem, por muito tempo, naturalizado a ideia de que o homem detém o poder, a força e o controle nas relações familiares.

A lei foi criada com base nessa realidade, reconhecendo que o homem, em sua maioria, tem condições de exercer violência de forma mais eficaz devido à sua força física superior. Portanto, a proteção das mulheres contra a violência doméstica se justifica pela desigualdade de poder entre os gêneros, um desequilíbrio que foi construído e perpetuado ao longo dos séculos.

A Questão da Igualdade: Quando a Equiparação Perde o Sentido

A proposta de igualdade entre homens e mulheres é legítima e necessária, mas, ao buscar a equiparação total entre os sexos, algumas questões começam a perder o contexto. O principal argumento de quem defende a igualdade total entre os gêneros é de que as mulheres devem ter os mesmos direitos que os homens, incluindo a proteção legal. No entanto, ao defender a ideia de que homens e mulheres devem ser tratados da mesma forma, sem considerar as especificidades históricas e sociais que caracterizam a violência contra as mulheres, a aplicação da Lei Maria da Penha perde seu propósito.

A equidade de gênero não significa tratar homens e mulheres exatamente da mesma maneira, mas sim oferecer medidas de proteção e justiça adequadas às realidades e vulnerabilidades de cada um. Se as mulheres forem totalmente equiparadas aos homens em todas as situações, a Lei Maria da Penha perde seu significado, pois sua justificativa está justamente na desigualdade física e estrutural entre os sexos.

A Violência Contra o Homem: Uma Questão de Proteção, Não de Lei Específica

Embora seja importante reconhecer que os homens também são vítimas de violência doméstica, é preciso perceber que as dinâmicas dessa violência são diferentes. A violência masculina contra a mulher tem raízes em um sistema de poder desigual, onde o homem, por muito tempo, exerceu o controle sobre a mulher. Já a violência contra os homens, embora deva ser tratada com seriedade, não se baseia nas mesmas desigualdades estruturais.

O fato de os homens também poderem ser vítimas de violência não significa que a Lei Maria da Penha deva ser adaptada para contemplar os homens da mesma forma que as mulheres. Na verdade, a criação de legislações que atendam especificamente às necessidades dos homens vítimas de violência é uma medida mais eficaz e adequada, pois reconhece que as dinâmicas dessa violência são diferentes. A Lei Maria da Penha, ao ser voltada exclusivamente para as mulheres, reconhece uma realidade específica e estruturada de desigualdade de poder e violência contra as mulheres.

A Falta de Sentido na Lei Maria da Penha em uma Sociedade de Igualdade

Se a sociedade caminha para a igualdade entre homens e mulheres, as bases que sustentam a Lei Maria da Penha também precisam ser revistas. A Lei Maria da Penha é, em sua essência, uma resposta à desigualdade, ao abuso de poder que os homens, historicamente, exerceram sobre as mulheres. Portanto, à medida que as mulheres são equiparadas aos homens em direitos, responsabilidades e papéis sociais, a justificativa para a criação de uma legislação específica para elas enfraquece.

Se chegarmos a um ponto em que homens e mulheres estão em uma igualdade total, onde as mulheres são fisicamente tão fortes quanto os homens e possuem os mesmos direitos e responsabilidades na sociedade, a Lei Maria da Penha não faz mais sentido. Nesse cenário hipotético de igualdade absoluta, a necessidade de uma lei específica para proteger as mulheres contra a violência doméstica desaparece, pois as mulheres seriam tratadas de forma equânime, sem a vulnerabilidade histórica que justificou a criação da lei.

A Necessidade de Reavaliar a Lei em um Contexto de Igualdade

A luta pela igualdade de gênero é fundamental e deve ser apoiada, mas é importante entender que a Lei Maria da Penha não foi criada para garantir direitos iguais, mas para corrigir uma grande desigualdade. Se as mulheres forem realmente equiparadas aos homens em todos os aspectos, a legislação que protege as mulheres de abusos domésticos perderá sua justificativa, pois a dinâmica de violência que ela visa combater se baseia em uma desigualdade de poder entre os gêneros.

Portanto, a verdadeira questão não é simplesmente criar legislações que atendam igualmente a homens e mulheres, mas sim compreender as desigualdades históricas que tornam a Lei Maria da Penha ainda necessária e eficaz para a proteção das mulheres. Até que as condições de desigualdade entre os gêneros sejam superadas, a lei continuará a ser um pilar essencial na luta contra a violência doméstica. No entanto, ao se buscar uma igualdade absoluta entre os sexos, as medidas de proteção específicas para as mulheres podem perder seu propósito original, o que exigiria uma reavaliação da lei em seus termos atuais.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Fim da educação Há 4 meses

Ex-professor de universidade privada EAD fala sobre ser obrigado a aceitar trabalhos plagiados

Ex-professor universitário abandona carreira e vira produtor de conteúdo adulto após colapso do ensino superior a distância

Tudo errado... Há 4 meses

Prostitutas e falsos profetas: as duas ‘profissões’ mais antigas do mundo estão em alta na atualidade — a Bíblia seria o manual?

A Bíblia não trata seus personagens com leveza quando o assunto é exploração espiritual ou moral. Porém, é importante notar: o foco das Escrituras não é a condenação de indivíduos, mas a denúncia de práticas vistas como distorções da verdade e da justiça.

Foto: Manchete - Grupo: A folha
Mulher de bandido? Há 5 meses

Quando você apanha e volta para o ex: Sérgio Moro, PL e (Flávio) Bolsonaro juntos novamente nas eleições 2026

Na política brasileira, rompimentos raramente são definitivos — e reconciliações quase nunca são gratuitas. O movimento recente de reaproximação entre Sérgio Moro e o Partido Liberal, orbitando a base de Flávio Bolsonaro, ilustra bem essa lógica pragmática. Mais do que um simples rearranjo partidário, trata-se de um capítulo revelador sobre memória curta, conveniência política e sobrevivência eleitoral.

Preocupante Há 6 meses

Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e o discurso nazista apresentado de forma implícita

Posse e apologia de símbolos nazistas são crimes, independentemente da forma como são justificadas

Foto: Reprodução - Tv Camara De Maringá - Sessão ordinária 09/12/2025
Peso simbólico Há 6 meses

Vereadora Giselli Bianchini, de Maringá, teria feito sinal nazista durante discurso em defesa da ditadura?

Gesto rápido, pouco perceptível ao público, levanta dúvidas e questionamentos, especialmente diante de possíveis ligações ideológicas