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Você já foi vítima da violência. Mas talvez ainda não tenha percebido que também é culpado

A criminalidade no país não é apenas fruto da ação de bandidos, mas também da omissão política — e, acima de tudo, da passividade popular

Por: Opinião, crítica e análise
25/05/2025 às 19h43
Você já foi vítima da violência. Mas talvez ainda não tenha percebido que também é culpado

Quantas vezes você já foi assaltado? Teve o carro arrombado? Ficou com medo de sair à noite ou teve que mudar a rota pra não passar por tal rua? E depois de tudo isso, o que você fez? Reclamou com os amigos? Xingou no grupo da família? Fez um post revoltado nas redes sociais?

E depois… silenciou. Esqueceu. Esperou. Esperou que “alguém” resolvesse. E esse “alguém” nunca veio.

A verdade que ninguém gosta de ouvir é simples e dura: a culpa da violência que consome o nosso país não é só dos bandidos. É sua também. Sim, sua. Porque você tem o poder de cobrar, exigir, fiscalizar, pressionar — mas escolheu se calar.

Enquanto você trabalha, sobrevive e tenta não ser a próxima vítima, tem político fazendo carreira em cima do seu medo. A violência rende voto. Rende lucro. Rende poder. E eles sabem disso. Não têm pressa em acabar com o problema — porque o problema virou solução pra eles.

Mas quem deu esse poder a eles foi você. Quem se esqueceu que político é empregado do povo, foi você. Quem virou as costas depois da eleição e achou que o voto era o fim da sua participação, foi você.

Você não exige resultado. Não acompanha o que foi prometido. Não cobra o que foi dito. E enquanto isso, quem deveria servir, manda. E quem deveria mandar, obedece. O mundo vira ao contrário — e a violência continua batendo à sua porta.

Você não precisa mais ser a próxima vítima. Mas precisa parar de achar que a culpa é só dos outros. Porque enquanto você não entender que o poder é seu, continuará sendo refém. Não apenas dos criminosos nas ruas, mas também dos que se escondem por trás de uma gravata e um discurso bonito.

Chega de ser vítima. Comece a ser responsável.

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