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Como seria Gomorra dos Dias Atuais?

A Hipocrisia que Silencia os Altares, Deus chora ao ver tudo isso!

Por: Opinião, crítica e análise
25/05/2025 às 21h21 Atualizada em 23/06/2025 às 13h46
Como seria Gomorra dos Dias Atuais?

Gomorra, na tradição bíblica, era tida como o reflexo da decadência moral, uma cidade onde imperava o egoísmo, a violência e o desprezo pelo outro. Se Sodoma foi associada à promiscuidade sexual — frequentemente usada, de forma seletiva e preconceituosa, contra minorias sexuais — Gomorra representava uma sociedade corrompida por dentro, onde as instituições, os líderes e os poderosos abusavam de sua posição em nome de um discurso que eles mesmos violavam. Na contemporaneidade, a Gomorra moderna parece ter ganhado púlpitos, palanques e programas de televisão.

Enquanto o discurso moralista continua a apontar o dedo para fora — condenando corpos, amores e identidades que não se encaixam em um padrão conservador —, dentro dos templos, bastidores e sacristias, proliferam os escândalos abafados por conveniência. Líderes religiosos que pregam o puritanismo são flagrados em redes de abuso, exploração sexual, lavagem de dinheiro e silenciamento de vítimas. A estrutura, assim como em Gomorra, não desaba por fora, mas apodrece por dentro.

A hipocrisia se tornou uma virtude institucionalizada. Pregadores que vociferam contra “o pecado dos outros” acumulam seguidores enquanto mantêm vidas privadas marcadas por contradições gritantes. Em nome da fé, negociam influência política, enriquecimento pessoal e controle sobre fiéis cada vez mais cegos pela retórica do medo. Enquanto isso, o amor alheio, a diversidade, a autonomia dos corpos e a liberdade de existir são demonizados como se fossem as verdadeiras ameaças à sociedade.

Gomorra dos dias atuais é, portanto, o espelho de uma cultura que esconde sua perversidade atrás de dogmas. Onde o verdadeiro “pecado” é expor a verdade. Onde a justiça é seletiva, a empatia é condicional e o arrependimento é encenado diante de câmeras, não diante da consciência. Não há anjos visitando cidades para testar a hospitalidade — há manchetes, investigações e arquivos sigilosos. E ao contrário do mito antigo, essa nova Gomorra não será destruída por um castigo divino, mas talvez, pouco a pouco, pelo colapso de sua própria mentira.

A pergunta que fica é: até quando as pedras continuarão sendo lançadas por mãos tão sujas?

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