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O poder judiciário pode deixar de existir, um alerta para advogados, juizes e afins

O avanço de discursos religiosos sobre o espaço público: um alerta necessário

Por: Opinião, crítica e análise
16/11/2025 às 08h32 Atualizada em 16/11/2025 às 16h57
O poder judiciário pode deixar de existir, um alerta para advogados, juizes e afins

A separação entre Estado e religião é uma das bases centrais de qualquer democracia moderna. No Brasil, esse princípio garante que todas as crenças – inclusive a opção por não ter nenhuma – coexistam em igualdade. Contudo, o crescimento da influência religiosa em decisões políticas e jurídicas tem provocado apreensão entre juristas, acadêmicos e defensores do Estado laico. Não se trata de negar a legitimidade da participação de pessoas religiosas na vida pública, mas de observar com atenção quando essa participação passa a pressionar instituições a adotarem normas, práticas ou discursos que contrariam a Constituição.

Nos últimos anos, multiplicaram-se tentativas de criação de leis com forte motivação confessional, muitas vezes sem base jurídica adequada e abertamente incompatíveis com os princípios constitucionais da laicidade, da liberdade de crença e da igualdade. Em paralelo, casos de intolerância religiosa – especialmente contra tradições de matriz africana – continuam a crescer, enquanto setores religiosos influentes buscam moldar políticas públicas e decisões estatais de acordo com sua visão de mundo.

Esse cenário acende um alerta para o sistema de Justiça. Quando princípios religiosos começam a pressionar o debate jurídico, há risco não só de violações de direitos, mas também de abalos à própria estrutura republicana. A função do Judiciário é proteger o arcabouço constitucional, e não cedê-lo a interpretações doutrinárias específicas. A independência judicial é o principal freio a qualquer movimento que tente substituir a lei civil por normas de caráter religioso.

É nesse ponto que se instala a preocupação pública: a erosão gradual da laicidade pode abrir espaço para arbitrariedades, exclusões e desigualdades. A história mostra que, quando instituições religiosas passam a determinar o que é permitido ou proibido à revelia da lei comum, quem mais sofre são as minorias – religiosas ou não. A mera possibilidade de retrocessos nesse sentido já deveria motivar uma vigilância firme e constante.

Reafirmar o Estado laico não é um ataque à fé; é uma defesa das liberdades de todos. O Brasil não corre risco porque cidadãos têm religião, mas porque alguns projetos político-religiosos tentam transformar crença particular em norma universal. O Judiciário, assim como o Legislativo e o Executivo, deve zelar para que esse movimento não corroa as bases democráticas.

A proteção da laicidade é, portanto, um imperativo democrático. Cabe às instituições garantir que nenhuma religião – por mais poderosa ou numerosa que seja – se confunda com o próprio Estado. Só assim a justiça continuará sendo justiça, e não dogma.

Na Rede Geração, praticamos um tipo de jornalismo que vai além da simples transmissão de fatos. Nosso compromisso é com o jornalismo opinativo, crítico e analítico — uma abordagem que interpreta, contextualiza e posiciona os acontecimentos dentro de um olhar social, político e ético.

Diferente do jornalismo tradicional de viés “neutro”, essa prática não se limita a “ouvir os dois lados” como única obrigação. Isso porque nem todo conflito é equilibrado, nem toda fonte tem o mesmo peso, e nem toda versão dos fatos é legítima. O jornalismo opinativo não é imparcial — ele é responsável.

Jornalismo opinativo assume uma posição diante dos fatos. Não se omite. Não normaliza injustiças. Ele denuncia, aponta caminhos e reconhece o lugar político de onde fala. A opinião é um instrumento de leitura crítica do mundo.

Jornalismo crítico questiona estruturas de poder, revela contradições, analisa contextos históricos e sociais. Ele não reproduz a fala oficial sem checar o que está por trás. Criticar é parte essencial da democracia.

Jornalismo analítico vai além da manchete: explica causas, consequências, interesses envolvidos e omissões convenientes. Ele conecta os pontos e revela o que os discursos oficiais tentam esconder.

Por isso, esse tipo de jornalismo não precisa — e muitas vezes não deve — “ouvir todas as partes” para ser legítimo. Quando há flagrante de violência, quando há documentos, vídeos, depoimentos públicos ou silêncio institucional, o que se exige é responsabilidade, não simetria artificial. Dar “voz ao outro lado” não pode significar ceder espaço para desinformação, racismo, homofobia, machismo, gordofobia, abuso de autoridade etc.

Na Rede Geração, entendemos que o jornalismo é uma ferramenta de transformação. E transformação exige posicionamento.

Nosso conteúdo é opinativo porque temos lado: o lado da justiça.
É crítico porque não aceitamos verdades prontas.
É analítico porque sabemos que o jornalismo não deve apenas contar o que aconteceu, mas explicar por que aconteceu — e para quem interessa.

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