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Oscar 2026: como artistas de fora dos EUA estão redefinindo o cinema global

Para Carla D'Elia, especialista em Business English, este é um momento de transformação cultural, econômica e linguística na indústria do entretenimento

Por: Opinião, crítica e análise
13/03/2026 às 18h42
Oscar 2026: como artistas de fora dos EUA estão redefinindo o cinema global
Foto: Divulgação | IMDB
Tapetes vermelhos já não falam apenas o inglês norte americano. O Oscar 2026 vai consolidar uma tendência que veio se fortalecendo na última década e, agora, está mais evidente do que nunca: artistas de outros países estão redefinindo o que conhecemos como “protagonismo” no cinema global. Idiomas como o coreano, espanhol, francês, alemão e português são cada vez mais vistos e destacados nos principais eventos internacionais. 
Desde a vitória histórica do filme Parasita, lançado em 2019 e dirigido por Bong Joon-ho, como Melhor Filme no Oscar de 2020, a indústria entendeu que narrativas locais conquistam o mundo sem renunciar à identidade cultural. O reconhecimento internacional de outras produções como os filmes Nada de Novo no Front, dirigido por Edward Berger e Roma, dirigido por Alfonso Cuarón, mostram que o centro criativo do cinema agora é múltiplo.  
Entre 2015 e 2024, o Brasil realizou 242 obras cinematográficas com coprodução internacional, segundo o estudo da Panorama Coproduções Internacionais Brasil 2015‑2024 – ANCINE. Além disso, essas produções representam 10,4% do total de filmes brasileiros destinados à exibição em salas de cinema. 
Para Carla D'Elia, fundadora da Save Me Teacher e especialista em Business English, essa transformação vai muito além da estética e não se limita apenas ao roteiro, mas envolve linguagem e posicionamento: “Quando artistas como o Wagner Moura no Globo de Ouro, ou mesmo o cantor Bad Bunny no Superbowl fazem um discurso em inglês mantendo sua identidade cultural, mostram que a fluência não é sinônimo de neutralização. O idioma se torna muito mais uma ferramenta de expansão, não de apagamento”, afirma. 
Nomes como Penélope Cruz, Antonio Banderas, Yalitza Aparicio e Sandra Hüller apontam para uma indústria que reconhece o talento global sem exigir uniformidade cultural. Atores latino-americanos e europeus vêm ocupando produções de grande orçamento, negociando contratos globais e participando de campanhas multilíngues. Além disso, produções brasileiras como o filme Ainda Estou Aqui, protagonizado pela atriz Fernanda Torres, movimentaram o cinema no ano passado, trazendo um período histórico do Brasil à tona no mercado global. 
Para Carla, a transformação cultural acompanha uma mudança na forma como profissionais do entretenimento se preparam: “O Business English, quando inserido no contexto artístico, não é sobre parecer norte-americano. É sobre saber conduzir entrevistas internacionais, negociar contratos, participar de coletivas de imprensa e dialogar com executivos e jornalistas do mundo todo com segurança e clareza”.  
Para o Oscar deste ano, a presença de profissionais estrangeiros indica que o cinema global deixou de se concentrar em fronteiras e agora conecta histórias universais. A indústria entendeu que autenticidade gera identificação e, consequentemente, gera bilheteria, streaming, relevância cultural e lucro.  
O ecossistema cultural também está cada vez mais integrado, uma vez que este movimento também influencia outras áreas como a publicidade, moda, música e negócios internacionais. Na visão de Carla, o idioma inglês entra como ponte estratégica entre os mercados, mas não é um elemento homogeneizador: “O talento é local, mas o alcance é global. Quando artistas dominam a comunicação internacional sem abrir mão da própria identidade, ampliam as oportunidades e redesenham o mapa do entretenimento”, conclui.  
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