Em mais um episódio polêmico envolvendo o ator pornô, um vídeo de teor sexual explícito foi publicado em suas redes sociais, provocando uma forte reação nas plataformas e entre o público. A gravação, que mostrava o ator fazendo sexo enquanto ironizava o "sofrimento" de ser influencer, foi retirada do ar após denúncia feita pelo influenciador digital Felca, que expôs o conteúdo como inapropriado e possivelmente criminoso. Na legenda da postagem apagada: Concordo kkkkk sou bem infeliz na vida profissional minha. kkkk
O caso vai além de uma simples provocação ou "piada de mau gosto". Envolve questões sérias sobre a banalização da prostituição digital, o uso de plataformas para promover comportamentos ilegais e o papel de figuras públicas na disseminação de conteúdos que ultrapassam os limites da liberdade de expressão.
Além das investigações já em andamento, o ator pornô também passou a ser alvo de apuração por possível apologia à pedofilia. Uma das linhas analisadas pelas autoridades envolve o nome artístico que ele utiliza nas redes. O termo levanta suspeitas por sua semelhança fonética com a sigla “CP” — abreviação comumente usada para se referir a “child pornography” (pornografia infantil, em inglês). Embora ainda não haja confirmação oficial de que o nome tenha sido escolhido com essa intenção, a coincidência linguística somada ao contexto de conteúdos sexualizados e provocações públicas gera preocupação e é considerada um indicativo relevante para a investigação. Curiosamente, o vídeo citado foi removido pouco após a denúncia feita pelo influenciador Felca e sua ampla repercussão nas redes sociais, o que levanta questionamentos sobre uma possível tentativa de apagar rastros após a exposição pública. Se confirmada a intenção de fazer alusão a material proibido ou promover qualquer tipo de conteúdo relacionado à exploração infantil, o caso pode se enquadrar no artigo 241-E do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990), que trata da apologia ou incitação a crimes contra crianças e adolescentes, com penas que podem chegar a três anos de reclusão.
Ao longo de sua carreira, o ator sempre adotou uma postura hipocrita em relação à própria profissão e ao mundo digital. Contudo, a postagem em questão não apenas chocou pelo conteúdo sexualmente explícito, mas também pela mensagem implícita: o sexo como moeda de entretenimento ou "sofrimento artístico". Em tom sarcástico, ele questionava a suposta dificuldade de ser um influencer enquanto aparecia seminu em uma cena simulada de ato sexual.
A crítica, se é que era essa a intenção, foi rapidamente ofuscada pelo teor gráfico e pelo contexto. A sexualização do discurso, associada à exposição pública, acabou por transformar a postagem em uma espécie de espetáculo pornográfico que flerta com a apologia à prostituição — prática condenada pela legislação brasileira quando envolve exploração ou incentivo de terceiros, mesmo que de forma indireta.
O ator segue sendo investigado pelo Ministério Público, que analisa possíveis violações legais, incluindo apologia à prostituição e incentivo à exploração sexual. A legislação brasileira não criminaliza o exercício voluntário da prostituição, mas proíbe e pune severamente qualquer forma de incentivo, intermediação ou exploração dessa atividade, especialmente quando promovida em espaços públicos ou por pessoas com influência significativa.
A publicação pode ser enquadrada no artigo 287 do Código Penal, que trata da apologia a crime ou criminoso, e no artigo 231-A, que aborda a exploração sexual com fins comerciais. Ainda que o ator não esteja vendendo diretamente serviços sexuais, o conteúdo pode ser interpretado como uma forma de promoção da prostituição como “entretenimento” ou “brincadeira”.
Não se sabe ao certo se o conteúdo foi removido pelo próprio ator pornô ou se foi excluído pelo Instagram após denúncias. No entanto, vale destacar que o influenciador já mantinha várias contas ativas na plataforma — o que sugere uma conduta de má-fé. Atualmente, é comum que indivíduos que já violaram as diretrizes das redes sociais mantenham perfis "reserva", cientes de que podem ser banidos a qualquer momento. Essa prática, além de burlar as regras da plataforma, pode configurar, em determinadas circunstâncias, o crime de falsidade ideológica, previsto no artigo 299 do Código Penal, especialmente quando há uso de informações falsas ou omissão dolosa de identidade para criar ou manter contas em nome próprio ou de terceiros. Ainda que a jurisprudência brasileira ainda debata os limites da aplicação dessa norma no ambiente digital, o entendimento majoritário reconhece que o fornecimento de dados inverídicos com o intuito de enganar sistemas de verificação pode ser enquadrado como falsidade ideológica, caso fique demonstrado o dolo e a finalidade de ocultação ou fraude.
Esse caso levanta um ponto central: até onde vai a liberdade de expressão nas redes sociais? O direito de se manifestar não pode ser confundido com o direito de violar normas legais ou promover condutas socialmente perigosas.
Enquanto figuras públicas têm o poder de influenciar, também carregam consigo a responsabilidade de não cruzar limites legais e éticos. Transformar o sexo em “piada” ou “mídia promocional” sem considerar as implicações disso é mais do que provocação — é desinformação, estímulo à banalização da dignidade humana e, possivelmente, crime.
O episódio serve como um alerta importante sobre os riscos da hipersexualização digital, da monetização da intimidade e da falta de regulação eficiente nas redes. A fronteira entre “humor adulto” e comportamento ilícito é mais tênue do que parece — e, quando ultrapassada por quem possui grande alcance, deixa de ser apenas provocação para se tornar um problema social e jurídico.
O influenciador em questão segue sob apuração do Ministério Público, mas o impacto do caso vai além do processo judicial. Ele revela como o ecossistema digital, sem filtros éticos e legais bem definidos, pode se tornar terreno fértil para a propagação de condutas perigosas disfarçadas de liberdade criativa.
O ator pornô, que também é enfermeiro, aparece em um de seus vídeos segurando frascos de lubrificante, Caverject® (alprostadil 20mg) e comprimidos de tadalafila no Telegram onde divulga prévias — ambos medicamentos de uso restrito e controlado, indicados exclusivamente para tratamento médico de disfunção erétil. A presença desses produtos em contexto sexual e promocional, fora do ambiente clínico e sem justificativa terapêutica, pode configurar infração às normas da Anvisa e violação do artigo 273 do Código Penal, que trata da falsificação, adulteração ou promoção indevida de medicamentos, cuja pena pode ultrapassar 10 anos de reclusão. Além disso, a conduta afronta o Código de Ética da Enfermagem, podendo resultar em sanções administrativas e até na perda do registro profissional. A divulgação desses medicamentos em vídeos eróticos expõe a utilização indevida de saber técnico-científico em benefício pessoal e comercial, o que compromete tanto a saúde pública quanto a integridade da profissão.
Outro ponto que agrava a situação do ator é a produção recorrente de vídeos em locais públicos onde aparece com o pênis ereto, ainda que vestido. A prática, claramente intencional, tem como objetivo a divulgação de seu conteúdo adulto e a promoção de sua imagem como ator pornô. No entanto, esse tipo de exposição deliberada em ambientes públicos pode configurar o crime de ato obsceno, previsto no artigo 233 do Código Penal Brasileiro, que estabelece pena de detenção de três meses a um ano ou multa para quem praticar ato obsceno em lugar público, aberto ou exposto ao público. A lei não exige nudez completa ou ato sexual explícito — basta que a conduta tenha conotação sexual e seja ofensiva ao pudor médio da sociedade. A jurisprudência tem reconhecido que a exibição de ereção, mesmo com roupas, pode ser suficiente para caracterizar o delito, especialmente quando feita de forma provocativa ou com a intenção de chocar ou atrair atenção sexualizada em espaços públicos. Sendo praticada com dolo — ou seja, de forma planejada e reiterada —, a conduta pode ainda ser considerada agravante na esfera penal e administrativa.
O vídeo em questão foi apagado após a denúncia feita pelo influenciador Felca e a ampla divulgação casos de pedofilia. Na denúncia encaminhada ao Ministério Público, foi solicitada a preservação e apresentação do conteúdo, mesmo após sua remoção das redes sociais. O fato de o ator pornô ter apagado o vídeo — assim como manter múltiplas contas na plataforma — revela uma atitude suspeita, que indica conhecimento da ilegalidade da conduta e uma clara tentativa de apagar rastros após a exposição do caso. Essa estratégia de exclusão seletiva do material pode ser interpretada como uma tentativa de obstrução da investigação, demonstrando que o ator age com dolo, ciente das possíveis consequências legais de suas ações.
O caso foi registrado no Ministério Público do Paraná, na Cidade de Londria, onde Felca nasceu.