
Que a pandemia da Covid-19 mudou a rotina das pessoas a nível mundial, todos já sabem. O fato é que as consequências trazidas pelo vírus subtraíram dos indivíduos, coisas que foram adquiridas ao longo de uma vida inteira.
Em se tratando da educação pode se dizer com uma grande porcentagem de certeza, que muito se perdeu. No Brasil mesmo antes da pandemia, a educação era relegada a segundo plano. Talvez dizer que seria a segundo plano seja uma forma de amenizar a situação. Com a chegada do coronavírus, a escola passou a ocupar de vez, menos espaço na vida das famílias.
O ensino remoto diferenciou ainda mais os estudantes e fez com que a exclusão marcasse cada vez mais presença. O aumento do abandono escolar que tirava o sono das equipes gestoras, hoje aterroriza, pois distancia as instituições de ensino das metas a serem alcançadas.
A fragilidade dos computadores e dispositivos móveis possuídos por alguns alunos os impede de acompanhar as aulas remotas e realizar as atividades propostas. Dessa forma fica bem claro que o prejuízo das classes baixas é muito superior ao da classe alta.
Para piorar ainda mais a situação, muitos pais de famílias sofrem com a perda de seus empregos e com a alta exagerada dos produtos de primeira necessidade. Com isso o estudante que está em casa teoricamente sem suas tarefas escolares, entra para o mercado de trabalho para ajudar a sustentar a casa.
Os que desejam acompanhar as aulas online encontram uma única saída: a mudança de turno. Os estudantes trabalhadores precisam sair do turno matutino para o noturno. A escola por sua vez, faz um verdadeiro malabarismo para atender os pedidos de remanejamento, para que os estudantes não percam o trabalho, que é visto como uma forma de diminuir a sobrecarga financeira, nesse momento.
As tentativas de retorno aos bancos escolares, por enquanto não tiveram sucesso. Algumas escolas precisaram suspender as aulas presenciais devido ao aumento de contaminação.
Apesar do cenário difícil o pior ainda está por acontecer. Quando as escolas receberem seus alunos de volta, na totalidade, a corrida para recuperar o tempo perdido trará um enorme cansaço. O que fazer com aqueles estudantes cujo nível de ensino é ofertado em um único turno, e estão trabalhando? Qual será a opção da família? O trabalho ou a escola?