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Críticas à Igreja Espírita em Maringá

As críticas se concentram principalmente nas práticas de cobrança pelos atendimentos e na realização de cartas psicografadas, características que, segundo muitos, ferem os princípios basilares da Doutrina Espírita

Por: Opinião, crítica e análise
10/03/2025 às 18h17
Críticas à Igreja Espírita em Maringá
Foto: Freepik

Recentemente, Maringá, uma cidade que carrega em seu tecido social uma grande comunidade espírita kardecista, tem sido palco de um crescente debate em torno de uma nova igreja espírita recém-inaugurada. A igreja, que se apresenta como um centro de acolhimento e prática espiritual, tem gerado controvérsia e forte resistência por parte da comunidade espírita tradicional.

Cobrança de Atendimentos: Um Desrespeito à Caridade?

Um dos pontos mais sensíveis da discussão é a prática de cobrar pelos atendimentos espirituais realizados na igreja. No espiritismo kardecista, uma das bases fundamentais é a caridade. Allan Kardec, o codificador do espiritismo, deixou claro que as práticas mediúnicas, como o auxílio espiritual, as consultas e os atendimentos, devem ser oferecidas de maneira gratuita, sem qualquer interesse financeiro envolvido. Em seus escritos, Kardec enfatiza que a caridade é a virtude maior e que os espíritas devem trabalhar para o bem do próximo sem esperar qualquer recompensa material.

No entanto, a nova igreja espírita em Maringá parece ignorar essa premissa. Segundo as informações que circulam, a instituição está patrocinando anúncios nas redes sociais e cobrando por atendimentos espirituais, algo que fere profundamente a filosofia de caridade e altruísmo que orienta a doutrina. É um completo desrespeito ao espiritismo, uma forma de exploração da fé das pessoas. Se a pessoa vai à igreja buscar alívio espiritual e ajuda, não pode ser cobrada por isso.

Essa prática de cobrança não é só vista como uma distorção dos ensinamentos de Kardec, mas também como uma exploração da fragilidade humana em momentos de dor e necessidade. A fé é algo íntimo e profundo, e não deve ser usada como moeda de troca, especialmente em um contexto onde muitas pessoas buscam respostas para questões existenciais e emocionais.

Cartas Psicografadas: Um Mercado de Fé?

Outro ponto de grande controvérsia é a promessa da igreja de realizar cartas psicografadas. A psicografia, prática mediúnica onde um espírito se comunica por meio de um médium, é um dos aspectos mais conhecidos do espiritismo, mas a questão aqui vai além da prática em si. O que tem gerado críticas acentuadas é a comercialização dessas cartas e o discurso de que, em alguns casos, essas mensagens poderiam ser enviadas para qualquer pessoa, mediante pagamento.

Para os adeptos da doutrina espírita kardecista, a psicografia não é uma prática controlada ou direcionada pelo médium, mas sim um fenômeno espiritual, uma comunicação do plano espiritual para o plano terreno. Isso significa que, segundo a doutrina, as cartas psicografadas não podem ser solicitadas de maneira sistemática ou comercializada. A mediunidade verdadeira ocorre espontaneamente, quando o espírito decide se comunicar com aqueles que buscam uma mensagem ou esclarecimento.

Cartas psicografadas não podem ser feitas sob demanda. A ligação espiritual é de lá para cá, não daqui para lá. A mediunidade é um canal para a comunicação com os espíritos, mas ela não deve ser usada como um produto para ganhar dinheiro, essa prática se assemelha ao charlatanismo, onde se usa a fé das pessoas como um instrumento de manipulação financeira.

O Impacto na Comunidade Espírita

A reação da comunidade espírita local tem sido unânime no repúdio às práticas da nova igreja. Líderes espíritas de centros tradicionais de Maringá expressaram preocupação sobre o impacto que essas atitudes podem ter sobre a imagem do espiritismo na cidade e, em nível mais amplo, sobre a doutrina em si.

Além disso, há o risco de que a comunidade espírita, já fragilizada em algumas questões devido a outros casos de distorções de fé, se veja cada vez mais envolvida em disputas internas, alimentadas por novas abordagens como a desta igreja. Em vez de buscar um caminho de fraternidade, a tendência é que se perca a confiança nas instituições e nas práticas espirituais que respeitam os verdadeiros fundamentos do espiritismo.

O Charltanismo e a Exploração da Fé

Por fim, o grande risco que paira sobre o caso da nova igreja espírita em Maringá é a acusação de charlatanismo. Ao usar a fé como uma ferramenta de lucro, ao prometer milagres e soluções rápidas por meio de práticas que vão contra os princípios de Allan Kardec, a instituição se coloca em um território perigoso, onde a manipulação de sentimentos e crenças das pessoas pode gerar danos irreparáveis.

O charlatanismo religioso é um fenômeno recorrente em várias religiões, e no espiritismo não seria diferente. A história já mostrou como a exploração da fé pode ser um terreno fértil para aqueles que buscam se beneficiar economicamente da vulnerabilidade humana. Nesse contexto, o mais importante é que a comunidade espírita, especialmente em Maringá, continue a se unir para proteger os princípios e valores da doutrina, alertando para os perigos do mercantilismo e da distorção dos ensinamentos que têm como objetivo o crescimento espiritual e moral do ser humano.

A nova igreja espírita de Maringá, com suas práticas de cobrança por atendimentos e psicografia comercializada, levanta questões sérias sobre ética, respeito à fé e os verdadeiros princípios do espiritismo. Se essas atitudes não forem revistas, corre-se o risco de ver o espiritismo se distanciar de seus valores originais e se transformar em um instrumento de exploração, ao invés de um caminho de caridade, evolução e consolo espiritual. A comunidade espírita maringaense, atenta e vigilante, continua a ser a principal guardiã da autenticidade da doutrina de Allan Kardec.

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