Publicidade

UNIFAMMA, UNIFEITEP e UNICESUMAR são investigadas por supostas coletas irregulares de dados pessoais e pela realização de sorteios sem autorização legal.

Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) acende um alerta vermelho sobre práticas que, sob o disfarce de promoções e sorteios, podem estar violando direitos fundamentais de cidadãos em Maringá. As instituições de ensino superior UNIFAMMA, UNIFEITEP e UNICESUMAR foram citadas por supostas coletas irregulares de dados pessoais e pela realização de sorteios sem autorização legal

Por: Opinião, crítica e análise
23/10/2025 às 09h32 Atualizada em 23/10/2025 às 09h57
UNIFAMMA, UNIFEITEP e UNICESUMAR são investigadas por supostas coletas irregulares de dados pessoais e pela realização de sorteios sem autorização legal.

A acusação é grave — e vai além de uma simples infração administrativa. Se confirmada, ela revela uma cultura preocupante de banalização da privacidade e da ética nas estratégias de captação de alunos.

Quando o “sorteio” se transforma em isca

Segundo relatos, representantes dessas universidades estariam coletando dados em colégios estaduais, eventos religiosos (como na Igreja São Francisco de Assis, no bairro Alvorada), ações da assistência social e festas da Associação dos Funcionários Municipais de Maringá (AFMM).

A dinâmica, aparentemente inocente, é conhecida: o visitante é convidado a preencher um cadastro para participar de um sorteio de brindes — mas o que vem depois é o verdadeiro “prêmio”. Dias depois, começam a surgir ligações, mensagens e e-mails oferecendo cursos, bolsas e matrículas.

O problema é que, sob a ótica da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), essa prática pode ser ilegal. O uso de dados pessoais para fins comerciais requer consentimento claro, específico e informado. O cidadão precisa saber para que e por quem seus dados serão utilizados — algo que, segundo as denúncias, não estaria sendo devidamente esclarecido.

LGPD: uma lei ignorada ou convenientemente esquecida?

A LGPD (Lei nº 13.709/2018) não é apenas uma formalidade burocrática; ela representa um avanço civilizatório no reconhecimento do direito à privacidade. O que está em jogo aqui é a dignidade da pessoa frente ao poder de instituições que lidam com grandes volumes de informação.

Se confirmadas as denúncias, as universidades citadas podem ter tratado dados pessoais como simples fichas de marketing, ignorando o princípio da transparência e da finalidade legítima. Mais grave ainda: teriam se aproveitado de ambientes comunitários e religiosos — espaços de confiança — para fins comerciais.

Nesse ponto, a possível participação de instituições religiosas e da AFMM torna o caso ainda mais sensível. Há uma fronteira ética que separa o espaço da fé e da convivência comunitária das estratégias empresariais de captação de clientes. Se essa linha foi cruzada, trata-se de uma infração moral, antes mesmo de uma infração legal.

O outro lado: o silêncio e a necessidade de transparência

Procuradas, as instituições citadas até o momento não se manifestaram publicamente (ou o fizeram de forma genérica, sem esclarecer os fatos). O silêncio, contudo, não é neutro. Diante de uma denúncia dessa natureza, seria esperado que as universidades adotassem postura proativa, apresentando seus procedimentos de compliance e demonstrando que estão em conformidade com a LGPD e com as normas da Caixa Econômica Federal, responsável pela autorização de sorteios no país.

A ausência dessa transparência reforça a sensação de que há algo a esconder — ou, no mínimo, uma falta de compromisso com a ética da comunicação.

Mais do que uma investigação, uma reflexão

O caso de Maringá é sintomático de um problema maior: a transformação da educação em um mercado de dados. Quando a lógica do lucro ultrapassa a missão educativa, o aluno deixa de ser sujeito e passa a ser produto.

O Ministério Público, portanto, não apenas deve investigar se houve crime ou infração administrativa, mas também provocar um debate sobre os limites éticos da publicidade educacional. Afinal, que tipo de formação pode oferecer uma instituição que ignora direitos fundamentais em sua própria estratégia de marketing?

Ética não é sorteio

O uso indevido de dados pessoais e a manipulação da confiança comunitária são sintomas de uma crise mais profunda: a crise da responsabilidade social das instituições. Se o ensino superior pretende formar cidadãos críticos e éticos, precisa começar pelo próprio exemplo.

Em tempos de LGPD e vigilância digital, é inadmissível que universidades, que deveriam ser faróis de conhecimento e ética, ajam como empresas caça-cadastros. A investigação do MP-PR não deve ser apenas uma resposta a uma denúncia — deve ser um passo em direção à reconstrução da confiança entre instituições e sociedade.

Porque, no fim das contas, respeito à privacidade não é brinde — é dever.

Na Rede Geração, praticamos um tipo de jornalismo que vai além da simples transmissão de fatos. Nosso compromisso é com o jornalismo opinativo, crítico e analítico — uma abordagem que interpreta, contextualiza e posiciona os acontecimentos dentro de um olhar social, político e ético.

Diferente do jornalismo tradicional de viés “neutro”, essa prática não se limita a “ouvir os dois lados” como única obrigação. Isso porque nem todo conflito é equilibrado, nem toda fonte tem o mesmo peso, e nem toda versão dos fatos é legítima. O jornalismo opinativo não é imparcial — ele é responsável.

Jornalismo opinativo assume uma posição diante dos fatos. Não se omite. Não normaliza injustiças. Ele denuncia, aponta caminhos e reconhece o lugar político de onde fala. A opinião é um instrumento de leitura crítica do mundo.

Jornalismo crítico questiona estruturas de poder, revela contradições, analisa contextos históricos e sociais. Ele não reproduz a fala oficial sem checar o que está por trás. Criticar é parte essencial da democracia.

Jornalismo analítico vai além da manchete: explica causas, consequências, interesses envolvidos e omissões convenientes. Ele conecta os pontos e revela o que os discursos oficiais tentam esconder.

Por isso, esse tipo de jornalismo não precisa — e muitas vezes não deve — “ouvir todas as partes” para ser legítimo. Quando há flagrante de violência, quando há documentos, vídeos, depoimentos públicos ou silêncio institucional, o que se exige é responsabilidade, não simetria artificial. Dar “voz ao outro lado” não pode significar ceder espaço para desinformação, racismo, homofobia, machismo, gordofobia, abuso de autoridade etc.

Na Rede Geração, entendemos que o jornalismo é uma ferramenta de transformação. E transformação exige posicionamento.

Nosso conteúdo é opinativo porque temos lado: o lado da justiça.
É crítico porque não aceitamos verdades prontas.
É analítico porque sabemos que o jornalismo não deve apenas contar o que aconteceu, mas explicar por que aconteceu — e para quem interessa.

Os conteúdos de opinião, análise e crítica publicados pela Rede Geração são protegidos por direitos autorais e propriedade intelectual. O uso não autorizado, total ou parcial, especialmente em contextos que distorçam seu sentido ou omitam sua autoria, constitui violação passível de responsabilização civil e criminal. A reprodução indevida poderá resultar em medidas legais e indenizatórias conforme previsto na legislação vigente.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Exclusivo Há 10 horas

Pedofilia: Decorador de festas infantis de Maringá preso por estuprar menino está solto e continua trabalhando com crianças

O rapaz é idolatrado por muitos profissionais do setor de eventos nas duas cidades. “Mas ele é gatinho” é uma das justificativas frequentemente apontadas para a admiração que recebe quando se fala no assunto. No entanto, muitos profissionais parecem ignorar uma questão fundamental: a segurança dos filhos dos clientes. Trata-se de uma crise que vai muito além da gestão empresarial do ramo de festas. Diante da repercussão do caso, a população faz um grande questionamento: onde estão as associações comerciais das cidades e os vereadores para se posicionarem sobre o assunto? - Assine e veja a reportagem completa

Nojo! Há 1 semana

Garoto de programa de Maringá faz anúncio de prostituição com criança aparecendo no vídeo, caso está sendo investigado

Caso é denunciado no Ministério Público e polícia cívil

Polêmica Há 1 semana

Pedofilia: Massagista de Maringá foi denunciado por pornografia de menores, mas caso foi negligenciado e ele continua atendendo na cidade

Caso foi denunciado em dois órgãos competentes

Agenda Há 1 semana

Maringá FM leva ouvintes para sessão exclusiva de cinema com “Minions e Monstros”

A Maringá FM vai proporcionar uma experiência especial aos seus ouvintes com uma sessão exclusiva de cinema no Cine Araújo, no Avenida Center. A ação, realizada em parceria entre a emissora e a rede de cinemas, reunirá mais de 150 pessoas para assistir ao recém-lançado filme Minions e Monstros.

Foto: Imagem ilustrativa Gerada por IA
Denúncia Há 3 semanas

Terreiro de Maringá é alvo de denúncia por suposta exposição vexatória durante gira

Um terreiro de matriz afro-brasileira em Maringá tornou-se alvo de denúncia após um episódio que teria ocorrido durante uma gira realizada na ausência da mãe de santo da casa.