Entre os relatos está um episódio de abuso sofrido ainda no início da trajetória profissional, quando trabalhava como figurante em novelas. O assunto, que permaneceu em silêncio durante anos, passa a ser abordado agora, após o afastamento da televisão. "Sofri abuso sexual ao 16 anos quando era figurante de novelas no início da minha carreira, um segurança tentou fazer sexo forçado comigo saindo da gravação dentro do complexo de estúdio da emissora e um produtor me ofereceu trabalho em troca de sexo, depois ainda se mastubou na minha frente dentro do camim", conta @gptv.
O canal também traz relatos sobre os bastidores das redações e os motivos que levaram ao fim da carreira na TV. A imagem de glamour associada à profissão está distante da realidade enfrentada por muitos profissionais da comunicação.
"Existe um imaginário de que repórter ganha muito dinheiro, vive bem e desfruta de prestígio. Na prática, muitas vezes acontece o oposto. O salário é baixo, há acúmulo de funções, jornadas exaustivas e uma cobrança permanente. No fim, sobra apenas o status. É uma prostituição da profissão."
De acordo com o ex-repórter, foi justamente dessa percepção que surgiu o nome "Prostituição Repórter". A escolha representa uma crítica ao processo de precarização do jornalismo e da comunicação.
"Quando uma pessoa precisa fazer o trabalho de três profissionais, recebe pouco e ainda convive com uma cobrança constante por ser uma figura pública, isso também é uma forma de prostituição. Não se trata apenas de vender um serviço. Trata-se de vender tempo, saúde e dignidade para manter uma profissão que, para muita gente, ainda parece privilegiada."
Outro tema recorrente no canal é a mudança na relação entre o público e o jornalismo. Para @GPVT a facilidade de acesso às redes sociais fez crescer a quantidade de opiniões sem embasamento, enfraquecendo o valor da informação produzida por profissionais.
"Atualmente, a internet deu voz a burros e idiotas. Ninguém mais quer ouvir quem estudou ou dedicou anos a uma profissão. Tem analfabeto achando que sabe mais do que médico, gente que nunca entrou numa redação ensinando jornalista a trabalhar. Todo mundo virou especialista em tudo. No fim, fala de qualquer assunto de forma rasa, leviana e, muitas vezes, completamente errada."
Na avaliação do criador do canal, esse cenário contribuiu para o que define como uma verdadeira "prostituição da comunicação".
"Hoje vale mais um vídeo de poucos segundos cheio de opinião do que uma reportagem construída com apuração, responsabilidade e contexto. O algoritmo passou a valer mais do que o conhecimento. A comunicação foi prostituída."
Embora o conteúdo adulto seja um dos principais atrativos da página no Privacy, o objetivo declarado é oferecer um espaço onde seja possível falar sobre temas que dificilmente encontrariam espaço na televisão.
"Quem chegar pelo conteúdo adulto também vai encontrar relatos sobre abusos, bastidores da TV, dificuldades da profissão e os verdadeiros motivos que levaram ao fim dessa carreira. Existe uma distância enorme entre a imagem que o público faz da televisão e o que realmente acontece por trás das câmeras."
Para @gptv, o canal representa uma mudança de rumo, mas também uma forma de protesto contra a perda de valorização do jornalismo.
"Durante muito tempo, a profissão exigiu cada vez mais, pagando cada vez menos. O nome 'Prostituição Repórter' nasceu dessa crítica. Não é uma referência apenas ao conteúdo adulto, mas ao sentimento de que a comunicação, o jornalismo e os próprios profissionais foram sendo desvalorizados ao longo dos anos. Se hoje existe liberdade para mostrar o corpo, também existe liberdade para expor aquilo que muitos preferem esconder sobre os bastidores da profissão."