Publicidade

Bilionários homofóbicos que lucram com conteúdo adulto gay

Conteúdo LGBTQ+ gera lucro, mas também expõe contradições das plataformas

Por: Opinião, crítica e análise
10/04/2026 às 05h30 Atualizada em 10/04/2026 às 05h38
Bilionários homofóbicos que lucram com conteúdo adulto gay

Vivemos uma era em que plataformas digitais se apresentam como espaços de liberdade, diversidade e expressão. No entanto, quando observamos mais de perto o funcionamento de redes como o Instagram, da Meta, e o X (antigo Twitter), sob o comando de Elon Musk, emerge um paradoxo inquietante: enquanto conteúdos LGBTQ+, inclusive adultos, geram engajamento e lucro, essas mesmas plataformas são frequentemente acusadas de tolerar — ou até amplificar — discursos hostis contra essa comunidade.

No caso do X, há evidências concretas de mudanças que impactaram diretamente usuários LGBTQ+. Após a aquisição por Musk, organizações como a Anistia Internacional relataram aumento significativo de discurso de ódio na plataforma, com 60% dos entrevistados afirmando ter percebido crescimento desse tipo de abuso (). Além disso, políticas que antes protegiam pessoas trans foram enfraquecidas ou removidas (). Isso não configura, necessariamente, uma “homofobia declarada” no sentido formal, mas evidencia decisões estruturais que tornam o ambiente mais hostil — o que, na prática, produz efeitos semelhantes.

Ao mesmo tempo, essas plataformas continuam lucrando com a atenção gerada por conteúdos LGBTQ+. O engajamento — seja por apoio, consumo ou até controvérsia — é monetizado por meio de publicidade, impulsionamento e algoritmos. O sistema não distingue moralmente o conteúdo: ele prioriza aquilo que mantém o usuário conectado. Assim, conteúdos adultos gays, perfis de criadores e discussões sobre sexualidade tornam-se parte de uma engrenagem econômica altamente lucrativa.

Esse é o ponto central da contradição: não é necessário apoiar uma comunidade para lucrar com ela. Basta que ela gere tráfego.

No caso do Instagram, pertencente à Meta Platforms de Mark Zuckerberg, relatórios recentes também indicam falhas na proteção de usuários LGBTQ+, com críticas de organizações como a GLAAD sobre a flexibilização de regras contra discurso de ódio (). A crítica recorrente não é que a empresa seja explicitamente homofóbica em discurso institucional, mas que suas políticas e sua aplicação prática permitem a circulação desse tipo de conteúdo — enquanto continuam monetizando a presença LGBTQ+ na plataforma.

Esse modelo revela uma lógica mais ampla do capitalismo digital: a neutralidade aparente esconde uma seletividade econômica. O que importa não é quem você é, mas quanto engajamento você gera. Nesse cenário, minorias podem ser simultaneamente exploradas como mercado e negligenciadas como grupo social.

Portanto, a questão talvez não seja simplesmente rotular os donos dessas plataformas como “homofóbicos” — embora declarações e decisões específicas possam alimentar essa percepção —, mas entender que o sistema que eles operam é, acima de tudo, orientado pelo lucro. E, nesse sistema, a diversidade é bem-vinda enquanto for rentável; quando exige proteção, moderação ou posicionamento ético mais firme, torna-se um custo.

No fim, o paradoxo permanece: as mesmas plataformas que lucram com corpos, identidades e narrativas LGBTQ+ são aquelas onde essas mesmas pessoas frequentemente precisam lutar por respeito, visibilidade segura e dignidade.

Contribua com nosso trabalho, faça uma doação de qualquer valor

Rede Geração, o novo padrão do jornalismo - opinativo, crítico e analítico, por meio do jornalista Michel Hajime

Autor: Michel Hajime

Fui abusado sexualmente aos 16 anos dentro de uma emissora de televisão por um segurança saindo da gravação de uma novela quando era figurante, na semana do meu aniversário de 17 anos um produtor me ofereceu trabalho em troca de sexo e se masturbou na minha dentro do camim, durante a produção de uma novela famosa.

Passei por uma possível tentativa de “cura gay”, sofri ameaças de morte e agressões, presenciei casos de racismo, gordofobia, entre outras violências. Tentei suicídio mais de uma vez. Fui parar no CAPS após ser diagnosticado com crise de pânico. Todos os meus casos foram negligenciados, mesmo após cobranças ao poder público.

Nunca imaginei que essa patologia fosse tão cruel. Cheguei a ter feridas que ficaram na carne viva. Antes, se outra pessoa tivesse, eu falaria que era “mimimi”, até viver na própria pele. Embora todas as crueldades que sofri, não desejo isso nem para o meu pior inimigo.

Hoje, luto contra tudo pelo que passei. Mesmo tendo sido coagido, perseguido e até estar sendo ameaçado de morte, nunca deixarei de lutar, principalmente pelas crianças inocentes (seu eu que fui abusado na nadolecência me doí muito, imagina uma criança). Podem até me matar, mas morro como homem — muito mais homem do que aqueles que fazem discursos moralistas, mas defendem o indefensável.

Hoje, a maior dor como gay é ver a homossexualidade ligada ao abuso infantil, quando a maior parte dos casos de abuso é heterossexual (principamente entre familiares). Soma-se a isso a dor de ser agredido por homens casados que se relacionam com outros homens, mas, para disfarçar, agem de forma homofóbica e usam a religião para se esconder.

Creio em Deus e sei da importância da religião. Porém, hoje, muitas pessoas que nunca foram de Deus usam a religiosidade como disfarce para seus crimes e perversões. Ainda assim, sei que do nosso Pai nada se esconde. Neste mundo tomado por pessoas imundas, nada passa despercebido aos olhos do Nosso Pai Celestial. E, mesmo sofrendo tudo isso, Ele saberá que, embora eu tenha me tornado uma vítima da sociedade — discurso que até descobrir que estava em crise de pânico eu abominava —, eu não me rendi e sigo lutando pelo que Deus realmente prega: Amor, Caridade e Respeito.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Era teste do sofá? Há 1 semana

Denunciou assédio e ainda foi demitido! Após a repercussão, cerca de 40 vítimas também se manifestaram — a convivência da prostituição do CLT por parte dos empregadores

O caso de Enzon dos Reis Silva expõe uma realidade ainda pouco discutida: o silêncio imposto pelo medo da demissão, a fragilidade das denúncias sem apoio institucional e como a omissão de empresas diante de comportamentos abusivos pode transformar um episódio isolado em uma rede de vítimas.

Foto: reprodução
Polícia virou merda Há 1 semana

Policial que agrediu jovem aprendiz disse: ‘Todo vagabundo trabalha com coisa de moto’, e ele realmente não está certo!

A afirmação de que “todo vagabundo trabalha com coisa de moto” revela um preconceito que não corresponde à realidade. Milhares de trabalhadores, pais e mães de família, dependem de motocicletas ou atuam em atividades relacionadas a elas para garantir o sustento de suas casas. O problema, porém, vai muito além dessa declaração: o caso expõe uma discussão mais profunda sobre os recorrentes episódios de abuso de autoridade envolvendo agentes policiais.

Denúncia Grave Há 4 meses

Falha na Lei Felca - Parte 1: Criadores de conteúdo burlam o algorítimo e postam cenas de sexo, pênis e similares

Órgãos genitáis mostrados por espelhos, reflexos, sombras e similares. Instagram ainda pode ser acessado por menores de idade

Foto: Imagem criada por ChatGPT
Invisível = A fé Há 4 meses

Brasil nunca foi um Estado laico

A ideia de que o Brasil é um Estado laico aparece com frequência em discursos institucionais, documentos legais e debates públicos. No entanto, quando observamos com atenção a organização simbólica, cultural e política do país, surge uma questão incômoda: até que ponto essa laicidade é real, e não apenas formal?

Foto: Imagem criada por ChatGPT
Credibilidade zero Há 4 meses

Foto de oficial de justiça do Paraná no Whatsaap durante intimação gera repercussão, e caso é levado ao Conselho Nacional de Justiça

Colapso da Credibilidade Digital da Justiça Brasileira